Portugueses confiam nos médicos, mas falta de profissionais e tempos de espera são problemáticos

A falta de médicos e outros profissionais de saúde, associada aos longos tempos de espera é identificada por 79% dos portugueses como o maior problema do sistema de saúde nacional, o valor mais elevado entre os 20 países analisados no STADA Health Report 2026.

O STADA Health Report 2026 resulta de um inquérito online realizado pela Human8 entre fevereiro e março de 2026, envolvendo entre 500 e 2.000 participantes por país, em 20 mercados, representativos por idade, sexo e região.

Os resultados, divulgados na primeira edição da Lupa da YoungNetwork, revelam um aparente paradoxo: os portugueses estão entre os cidadãos europeus que mais confiam nos profissionais de saúde, mas também entre os que mais sentem as limitações do sistema.

Segundo o estudo, 90% dos portugueses afirmam que os médicos influenciam as suas decisões de saúde, o valor mais elevado do conjunto dos países analisados, a par de Espanha. Além disso, 71% reconhecem influência aos farmacêuticos, colocando Portugal no segundo lugar do ranking internacional.

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IA gera expectativas positivas, desde que reduza a espera

A Inteligência Artificial surge como uma oportunidade para melhorar a experiência dos cidadãos com o sistema de saúde. Mais de metade dos portugueses (51%) acredita que a IA permitirá diagnósticos mais rápidos, um valor significativamente acima da média internacional (43%). Outros 38% consideram que poderá facilitar o acesso aos serviços de saúde.

Em comunicado, é referido que os dados sugerem que a aceitação da tecnologia está diretamente ligada à capacidade de responder a problemas concretos dos utentes, como tempos de espera, acesso e eficiência.

Baixa sensação de controlo sobre a própria saúde

Outro dado relevante é o facto de Portugal apresentar o valor mais baixo entre os 20 países no indicador de perceção de controlo sobre a própria saúde: apenas 44% dos inquiridos sentem que controlam a gestão do seu bem-estar, muito abaixo da média internacional de 78%.

O estudo identifica igualmente preocupações significativas com o acesso à saúde mental, apontado por 50% dos portugueses como um dos grandes problemas nacionais, e com os cuidados aos idosos, área onde apenas 20% consideram existir um apoio adequado.

Confiança nos profissionais deve orientar a comunicação em saúde

Para João Duarte, CEO do YoungNetwork Group, os resultados deixam uma mensagem clara para organizações, marcas e instituições do setor da saúde.

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“Os portugueses não precisam de ser convencidos a confiar em quem trata deles. Já confiam. O que lhes falta é tempo com essas pessoas. Se amanhã tivesse uma mensagem de saúde para passar, punha-a na boca de um médico ou de um farmacêutico.”

Principais conclusões para Portugal

  • 79% apontam a falta de profissionais e tempos de espera como principal problema da saúde.
  • 90% dizem que os médicos influenciam as suas decisões de saúde. 71% reconhecem influência aos farmacêuticos.
  • 51% acreditam que a IA permitirá diagnósticos mais rápidos.
  • Apenas 44% sentem que controlam a gestão da sua própria saúde.
  • 50% consideram o acesso à saúde mental um grande problema nacional.
  • Apenas 20% consideram adequado o apoio aos cuidados dos idosos.