População portuguesa ingere sódio em excesso 625


16 de março de 2017

Cerca de 3,5 milhões de mulheres (65,5%) e 4,3 milhões de homens (85,9%) em Portugal apresentam uma ingestão de sódio acima do nível tolerado, segundo indica o Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física (IAN-AF), apresentado hoje no Porto.

O sódio é «um dos nutrientes para os quais se estimou maior inadequação», tendo-se verificado «o importante contributo de alimentos como o pão, os produtos de charcutaria e a sopa» para esse elevado consumo, explicou à “Lusa” a investigadora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), Carla Lopes.

Este é um dos resultados do IAN-AF, projeto liderado pela Universidade do Porto (UP) que, ao longo de um ano, avaliou mais de 6.500 pessoas, com idades compreendidas entre os três meses e os 84 anos, em todas as regiões do país.

No inquérito foi avaliado o consumo alimentar da população portuguesa, incluindo os tipos de alimentos consumidos, os nutrientes, os suplementos alimentares e nutricionais e outros comportamentos de risco, os níveis de insegurança alimentar e de atividade física, tendo a recolha de dados decorrido entre outubro de 2015 e setembro de 2016.

Outra das conclusões indica que «o consumo de carne vermelha, associado a risco de cancro do cólon (mais de 100 gramas por dia), é realizado por mais de 3,5 milhões de portugueses (34% da população)», referiu Carla Lopes, também investigadora do Instituto de Saúde Pública do Porto da Universidade do Porto (ISPUP), envolvido no projeto.

O inquérito revela também que um em cada dois indivíduos não consome a quantidade de fruta e produtos hortícolas recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o que aumenta a probabilidade de inadequação de nutrientes, como a fibra, e de micronutrientes, como o folato, o potássio e o cálcio.

Aproximadamente 1,5 milhões de pessoas (17% da população) «consomem pelos menos um refrigerante ou néctar por dia», indicou a especialista, acrescentando que a prevalência é maior nos adolescentes (40,6%).

O consumo elevado de álcool foi também verificado neste inquérito, em particular nos idosos, registando-se em 5% desse grupo a ingestão de um litro de bebida alcoólica por dia, sendo o vinho o produto mais frequentemente consumido.

Na população com mais de 15 anos, 5,4% das mulheres e 24,3% dos homens “consome álcool excessivamente”, alerta a investigadora, que vê a ingestão de açúcares acima das recomendações (15% da população, número que aumenta para 31% nos adolescentes) como outro dos resultados mais preocupantes.

O primeiro inquérito alimentar nacional foi em 1980. Este realizado agora, que inclui de forma inédita todas as regiões de Portugal continental e ilhas, «vem não só cobrir a falta de informação de indicadores de saúde nestas áreas de avaliação», mas também «permitir a sua comparação com países europeus», realçou a investigadora.

O IAN-AF é apresentado hoje, na Reitoria da Universidade do Porto (UP), num evento que inclui um debate sobre a importância dos resultados para a definição de políticas públicas.

Os resultados do inquérito nacional vão ser apresentados também em Lisboa, na sexta-feira, na Fundação Calouste Gulbenkian.

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