Pequenas melhorias na alimentação, atividade física e sono reduzem risco de mortalidade 446

Alguns minutos mais de atividade física moderada por dia e de sono, assim como comer um pouco mais de vegetais estão ligados a menores riscos de mortalidade, indicam dois estudos publicados esta terça-feira (13).

Um dos estudos, divulgado na revista médica The Lancet, revela que “caminhar a uma velocidade média de 5 km/h (quilómetros por hora) durante cinco minutos extra por dia, está associada a uma redução de 10% em todas as mortes na maioria dos adultos (…) e a cerca de 6% de todas as mortes nos adultos menos ativos”, cita a Lusa.

Um outro, divulgado na eClinicalMedicine (parte do conjunto de revistas The Lancet Discovery Science), refere que, “para as pessoas com os piores hábitos de sono, atividade física e alimentação, fazer alguns ajustes combinados nestes comportamentos pode ter um impacto significativo na esperança de vida”.

Mais cinco minutos de sono, dois minutos de atividade física moderada a vigorosa (como caminhar rapidamente ou subir escadas) e meia porção adicional de vegetais por dia seriam suficientes para, teoricamente, os indivíduos com piores hábitos de sono (5,5 horas/dia), atividade física (7,3 min/dia) e nutrição (pontuação de qualidade da dieta de 36,9/100) ganharem um ano extra de vida, segundo um comunicado do grupo Lancet de divulgação dos dois trabalhos.

Neste texto é também dito que a referida redução de 10% em todas as mortes ligadas a mais cinco minutos de atividade física moderada diz respeito a todos os adultos, exceto os 20% mais ativos da população, enquanto a de cerca de 6% é relativa aos 20% menos ativos da população, “aqueles que são ativos nesta intensidade em média durante cerca de 2 minutos por dia”.

O primeiro dos estudos referido também descobriu que “a redução do tempo sedentário em 30 minutos por dia estava associada a uma redução estimada de 7%” nas mortes da maioria dos adultos, com 10 horas por dia de vida sedentária, e “a cerca de 3%” dos mais sedentários, 12 horas/dia em média de sedentarismo.

“O maior benefício foi observado quando os 20% menos ativos da população aumentaram a sua atividade em 5 minutos por dia”.

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Tendo analisado dados de mais de 135.000 adultos em sete coortes (grupos com características comuns) na Noruega, Suécia e Estados Unidos, bem como do Biobanco do Reino Unido, com um seguimento médio de oito anos, o estudo constatou ainda que mais 10 minutos diários de atividade física moderada poderia levar “a uma redução de 15% das mortes entre a maioria dos adultos e a uma redução de 9% entre os menos ativos”.

Já uma redução de uma hora no tempo sedentário entre a maioria dos adultos foi associada a uma redução de 13% em todas as mortes e a uma redução de 6% entre os adultos menos ativos.

Segundo o comunicado, “o efeito global destas alterações menores e alcançáveis no risco de morte da população em geral não tinha sido estudado anteriormente”.

Também o estudo divulgado na eClinicalMedicine é o primeiro do tipo “a investigar as melhorias mínimas combinadas no sono, na atividade física e na alimentação necessárias para conduzir a uma esperança de vida significativamente mais elevada e a anos vividos com boa saúde”.

Neste caso foram analisadas quase 60.000 pessoas da coorte do Biobanco do Reino Unido, recrutadas entre 2006 e 2010 e seguidas durante uma média de oito anos, tendo os autores utilizado um modelo estatístico para calcular a esperança de vida e os anos vividos com boa saúde com diferentes variações de comportamentos.

“Comparativamente com as pessoas com os piores hábitos de sono, atividade física e alimentação, o modelo sugeriu que a melhor combinação destes comportamentos — sete a oito horas de sono por dia, mais de 40 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa e uma alimentação saudável — estava associada a mais de nove anos adicionais de esperança de vida e a anos vividos com boa saúde”, indica o comunicado.

“Os autores salientam que a relação combinada entre o sono, a atividade física e a alimentação é superior à soma dos comportamentos individuais”, adianta.

Estas descobertas podem ser úteis para incentivar as pessoas com hábitos inadequados nestas áreas a tentarem mudar os seus comportamentos, no entanto, os investigadores alertam que são necessários mais estudos para analisar a sua aplicação “na prática clínica e de saúde pública”.

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Os autores do estudo divulgado na revista The Lancet sobre os benefícios da atividade física e as consequências danosas do sedentarismo assinalam que as descobertas sobre o impacto de mesmo pequenas mudanças positivas na saúde pública “visam destacar os potenciais benefícios para a população como um todo e não devem ser utilizadas como aconselhamento personalizado”.

E recomendam que se faça mais investigação, utilizando dispositivos usados pelo utilizador (como os relógios que registam os batimentos e ritmos respiratórios) para monitorização de atividades, nos países de rendimento baixo e médio, “onde a idade, os níveis de atividade e os riscos para a saúde das pessoas podem diferir significativamente” dos deste estudo.