Não é novo, mas é urgente: Dois estudos recentes alertam para perigos dos alimentos processados 1710

Dois estudos apresentados na reunião anual da Sociedade Europeia de Cardiologia alertam (novamente) para a relação entre alimentos ultra processados e situações com o ataque cardíaco, outras doenças cardiovasculares, hipertensão e o AVC. Não sendo novidade os documentos e as investigações que incidem neste tipo de situação, vêm de novo os cientistas lançar alertas e pedir ações conjuntos para que existam soluções. Pretendem, assim, que este seja mais uma alerta para os governos em todo o planeta.

Explica o Guardian que o consumo global de comida altamente processada como cereais, barras proteicas, bebidas gaseificadas, refeições já preparadas ou fast food têm crescido nos últimos anos e que, no Reino Unido e nos EUA, mais de metade da dieta típica consiste neste tipo de alimentos. Especialmente nas faixas etárias mais jovens, nos mais pobres ou em quem vem de zonas menos privilegiadas, é normal encontrarem-se dietas que contêm até 80% destas comidas.

O primeiro estudo apresentado, que seguiu 10 mil mulheres durante 15 anos, descobriu que aquelas com maiores índices de consumo de alimentos ultra processados eram 39% mais propícias a ter hipertensão. Isto aconteceu mesmo depois de os investigadores ajustarem os níveis de outros indicadores alimentares como o sal, o açúcar e as gorduras.

O segundo estudo, que analisou mais de 325 mil homens e mulheres, concluiu que os que comem mais alimentos processados têm 24% mais chances de desenvolver problemas a nível cardiovascular como ataques cardíacos ou AVC, e que aumentar o consumo desse tipo de calorias em 10% estava associado a 6% mais de risco de doenças relativas ao coração. E os que tinham as comidas ultra processadas como menos de 15% da sua dieta tinham o menor risco de problemas cardiovasculares, segundo o estudo liderado pela Fourth Military Medical University, em Xi’an, na China.

Segundo o jornal inglês, em palavras aos jornalistas em Amesterdão, Países Baixos, local da reunião anual, Anushriya Pant, da Universidade de Sidney, na Austrália, um dos investigadores responsáveis pelo primeiro estudo, referiu que muitas pessoas não têm noção de que muita comida que assumem ser como saudável, não o é: como por exemplo sandes compradas em lojas, wraps, sopas ou iogurtes com low fat. “Pode acontecer que alimentos que pensam ser saudáveis estejam a contribuir para que desenvolvam hipertensão”, referiu. Há ainda o facto de as mulheres comerem mais deste tipo de alimentos do que os homens, algo ainda a ser estudado, para se perceber se, por exemplo, poderá ser resultado do marketing de comida ultra processada para dieta e de alimentos de baixa gordura para mulheres.

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