Investigadores usam microalga em iogurte como alternativa aos recursos piscícolas 443

Um estudo publicado na revista Food & Function, de cientistas portugueses, mostra o desenvolvimento de um novo alimento funcional que promete ser uma “alternativa aos recursos piscícolas”.

Investigadores juntaram-se para potenciar a nível nutricional a microalga Aurantiochytrium sp., decidindo incorporá-la num iogurte uma microalga com alto teor de ómega-3 .

“As dietas ocidentais são pobres em ácidos graxos polinsaturados n3 saudáveis, como o ácido docosa-hexaenoico. Já que a microalga Aurantiochytrium sp. é rico em ácido docosa-hexaenoico, um alimento funcional à base de iogurte magro e essa microalga foi testada”, indica o estudo.

A obtenção de ácidos gordos do tipo ómega-3, como o acido docosa-hexaenoico (DHA), na alimentação humana está dependente da inclusão de peixe. O DHA é um ácido gordo bioativo com benefícios para a saúde cardiovascular e neurológica. Alimentos ricos em DHA provenientes de fontes alternativas ao peixe representam um benefício para a saúde, mas também um “contributo para a sustentabilidade do planeta”.

Tendo por base o potencial nutricional da microalga Aurantiochytrium sp., em especial o seu teor em DHA, os investigadores mostraram a viabilidade de um alimento “funcional inovador preparado a partir de iogurte magro”.

De acordo com Narcisa Bandarra, responsável pela divisão de aquacultura, valorização e bioprospeção do IPMA e investigadora da Universidade do Porto, “tentámos valorizar esta biomassa em diferentes vertentes e pareceu-nos ser uma possibilidade na vertente alimentar, em particular, na produção do iogurte magro”, afirmou à agência Lusa.

“Claro que o peixe é a fonte de excelência destes ácidos gordos, mas esta microalga é uma fonte muito rica em gordura, em particular no DHA”, indicou Narcisa Bandarra, acrescentando que esta biomassa atinge 30% de DHA e 60% de teor de gordura.

Os investigadores avaliaram também o valor nutricional deste novo alimento, a que intitularam de iogurte AURA, e determinaram que a digestibilidade e bioacessibilidade dos seus componentes bioativos são substanciais, “apesar de ainda existir clara margem de progressão”.

No estudo, os investigadores mostraram ainda que o consumo diário de 125 mililitros (ml) deste iogurte pode “ser recomendado como fonte de uma grande parte dos benefícios de DHA para a saúde humana”.

O estudo, denominado por “The development of a novel functional food: bioactive lipids in yogurts enriched with Aurantiochytrium sp. biomass“, é da autoria de M. C. Paulo, J. Marques, C. Cardoso, J. Coutinho,R. G omes, A. Gomes-Bispo, C. Afonso e N. M. Bandarra, pertencentes ao Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR), ao Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), à Universidade de Aveiro e ao Politécnico de Leiria.

Pode consultar o estudo aqui.

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