Podemos estar a ingerir, semanalmente, plástico equivalente a um cartão multibanco 201

Um estudo realizado pela Universidade de Newcastle, na Austrália, denominado por “Quanto microplásticos estamos a ingerir?: Estimativa da massa de microplásticos ingeridos”, indica que, em média, as pessoas estão a ingerir aproximadamente 5 gramas de plástico por semana, o peso equivalente de um cartão multibanco.

Segundo o estudo de Kala Senathirajah e Thava Palanisami, que combina dados de mais de 50 investigações sobre a ingestão de microplástico, as pessoas estão a consumir cerca de 2.000 pequenos pedaços de plástico por semana, aproximadamente 21 gramas por mês, pouco mais de 250 gramas por ano.

Mas o que é um microplástico. De acordo com esta investigação, os “microplásticos foram definidos como partículas de plástico com um limite superior de tamanho de 5 mm”.

Relativamente ao estudo em si, “devido aos dados limitados disponíveis sobre a distribuição de tamanho de partícula de microplásticos, foi adotada uma massa média por partícula na faixa de tamanho de 0-1 mm para representar a massa média de partícula para cada partícula microplástica ingerida”.

De acordo com o relatório, “os microplásticos são uma preocupação significativa, pois podem representar uma ameaça direta (por ingestão) ou ameaça indireta (agindo como vetores potenciais de contaminantes) para os seres humanos. A administração de microplásticos pode ser acumulada e / ou transferida através da cadeia alimentar e atingir o nosso sistema digestivo e a corrente sanguínea. As descobertas são um passo importante para a compreensão do impacto da poluição plástica nos seres humanos”.

O estudo demonstrou uma série de padrões de ingestão de microplásticos. Os resultados iniciais apontam para uma taxa média global de ingestão de plástico, por seres humanos, de aproximadamente 5 gramas por semana.

“Há confiança de que, com base nos estudos analisados e nas análises subsequentes realizadas, até 5 g/semana de partículas microplásticas sejam potencialmente ingeridas por seres humanos”, indicam no seu relatório.

A maior fonte de ingestão de plástico, em todo o mundo, é a água, seja engarrafada ou da torneira. E consoante a região, essa ingestão pode ser maior ou menor. Por exemplo, constatou-se que na água dos EUA ou da Índia há o dobro de plástico do que aquele encontrado na água da Europa ou da Indonésia.

A seguir à água, vem o marisco, a cerveja, sal, o peixe, o mel e o açúcar.

O relatório conclui que o problema da poluição por microplásticos é universal e afeta diretamente as pessoas.

Questionada sobre esta investigação num artigo da Universidade, Thava Palanisami , co-líder do projeto e pesquisadora de microplásticos da Universidade de Newcastle, defende que “enquanto a conscientização dos microplásticos e seu impacto no meio ambiente está aumentando, este estudo ajudou a fornecer um cálculo preciso das taxas de ingestão pela primeira vez. O desenvolvimento de um método para transformar contagens de partículas microplásticas em massas ajudará a determinar os possíveis riscos toxicológicos para os seres humanos no futuro”.

Os investigadores avançam ainda que “estas descobertas podem servir como um alerta para os governos. Não são apenas os plásticos que poluem os nossos oceanos e cursos de água e matam a vida marinha – está em todos nós e não podemos escapar do consumo de plásticos. A ação global é urgente e essencial para enfrentar esta crise”.

Pode ler o estudo aqui.

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