Estudo conclui que excesso de iodo tem influência no desempenho cognitivo 1907

Um estudo com mais de 2.000 crianças em idade escolar da região Norte, que vai ser apresentado esta quinta-feira, concluiu que o excesso de iodo tem influência no desempenho cognitivo.

O trabalho, desenvolvido por um conjunto de investigadores de instituições como o Instituto Universitário de Ciências da Saúde – CESPU, das faculdades de Medicina e de Farmácia da Universidade do Porto, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, entre outras, dá seguimento a um outro estudo que já havia concluído que a deficiência de iodo também prejudica o desenvolvimento cognitivo.

Neste estudo, que será apresentado no Congresso Internacional da TOXRUN, Unidade de Investigação em Toxicologia do Instituto Universitário de Ciências da Saúde – CESPU, foram analisados os níveis de iodo e o Quociente de Inteligência (QI) de cerca de 2.000 crianças entre os 05 e os 12 anos de escolas da região Norte.

Em declarações à Lusa, Sandra Leal, uma das investigadoras envolvidas, alertou para a importância destes dados para ajustar políticas públicas: “níveis [de iodo] acima [dos normais] também têm uma associação com QI mais baixo, ou seja, medidas que sejam muito generalistas têm de se ter cuidado”. “Carência é mau, mas excesso poderá também não ser muito bom”, sublinha.

O intervalo das doses diárias de iodo recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) varia consoante a idade e estão agrupados em quatro níveis: 90 microgramas para crianças até aos 5 anos, 120 microgramas para crianças entre os 6 e os 11 anos e 150 microgramas para adolescentes adultos e idosos. Para grávidas e lactantes, as necessidades diárias são de 250 microgramas.

Neste estudo, os investigadores concluíram que uma maior proporção de crianças com níveis acima dos recomendados apresentava QI abaixo da média, o mesmo que tinha sido observado para os que tinham deficiência de iodo.

Confessando que os investigadores foram surpreendidos com estes resultados, Sandra Leal chama a atenção para a importância de ajustar as políticas públicas de promoção de saúde em função das características da população depois de feito o diagnóstico.

“Mesmo as políticas de promoção têm que ter, têm que ser ajustadas à realidade socioeconómica [da população]”, acrescenta.

O iodo é um oligoelemento essencial ao normal funcionamento do organismo e a única forma de o obter é a partir da alimentação, pois não é produzido pelo corpo, e serve para manter em equilíbrio os processos metabólicos do crescimento e desenvolvimento do cérebro e do sistema nervoso.

Os alimentos mais ricos em iodo são os de origem marinha, como por exemplo a cavala, mexilhão, bacalhau, salmão, pescada, berbigão ou camarão, mas também existe no leite, ovo ou fígado.

Envie este conteúdo a outra pessoa