Conveniência e alimentação saudável “em dois tempos”

O projeto ‘Em Dois Tempos‘, desenvolvido por três alunas finalistas da licenciatura em Ciências da Nutrição na Nova Medical School (NMS) – Maria do Rosário Ferrugento, Rita Ângelo e Mariana Orsi – foi o grande vencedor da 5.ª edição do ‘Nutrition Shark Tank‘. Os primeiros passos estão dados, mas são apenas o início.

O Teatro Thalia, em Lisboa, voltou a receber, na manhã desta quinta-feira (25), uma das iniciativas académicas mais criativas para os estudantes de Nutrição em Portugal. Perante o olhar atento, experiente e cuidado de 15 personalidades – ou sharks -, algumas delas nutricionistas, as estudantes da NMS cumpriram o desafio de desenvolverem soluções inovadoras para problemas reais na área da alimentação e saúde pública.

Depois de quatro pitches que procuraram endereçar problemáticas concretas – ‘HidraQ‘; ‘Integral‘, ‘Histórias à Mesa‘ e ‘SciProof‘ – a quinta e última apresentação acabaria, destacadamente, por recolher o maior número de votos da audiência. A app “Em Dois Tempos” ajuda famílias a cozinhar de forma saudável, adaptando receitas e métodos ao tempo disponível e promovendo escolhas equilibradas.

Problemas complicados, soluções simples

Através de uma personagem fictícia, Maria do Rosário Ferrugento, Rita Ângelo e Mariana Orsi apresentaram a realidade de muitos portugueses: sair do trabalho, chegar a casa, lidar com o cansaço e não saber o que comer. Alimentos no frigorifico… o que fazer com eles? Pedir comida… as opções são sempre as mesmas (e por vezes pouco saudáveis). Uma pesquisa online… traduz-se num mundo de resultados. E nem vale a pena perguntar à IA.

“A modulação da oferta alimentar representa uma estratégia relevante na promoção da saúde pública”

A solução? Uma ferramenta, gerida por nutricionistas, que agrega e simplifica decisões alimentares e que, em parceria com grandes distribuidoras, permite que os utilizadores comprem produtos saudáveis com desconto para serem usados em receitas com validação científica e sabor garantido. Mediante o tempo disponível, são sugeridas receitas, produtos ou até alternativas mediante os alimentos disponíveis em casa.

Através de um modelo de negócio business-to-business-to-consumer, em que a app cumpre o seu propósito através da parceria com as grandes distribuidoras e de comissões por cada mil produtos vendidos (com ganhos mútuos), a proposta apresentou-se como um negócio escalável e, por isso, com um futuro no horizonte. Por vezes, os problemas complicados têm soluções simples, garantiram as jovens empreendedoras.

Pensar na aplicabilidade fora dos meios urbanos, considerar os aeroportos, apostar na relação com plataformas de entrega em casa e ter em conta a concorrência já existente em países como o Reino Unido foram alguns dos conselhos dados pelos especialistas, numa ótica de valorização e incremento das potencialidades do projeto.

Levar a ideia “para a frente”

“Não estávamos à espera [da vitória] porque todos os pitches foram muito bons, com ideias excelentes, e é difícil ter uma perspetiva”, admitiu, ao portal VIVER SAUDÁVEL, Maria do Rosário Ferrugento para dar conta das “várias reuniões, passos à frente e atrás” e até versões pelos quais passou a app vencedora.

Já se pode inscrever na VS – Nutrition Summit & Exhibition

Por sua vez, Rita Ângelo afirmou que “surgiram muitas ideias”, mas que, após entrevistar jovens adultos, perceberam que “há um problema central que não está a ser resolvido” e que “não há resposta” no mercado português. Referiu ainda que o projeto resultou de “uma junção de ideias” que evoluiu até seguirem “um seguimento lógico”, sublinhando o orgulho no resultado e que “era este o problema a resolver”. A ideia é estreitar a relação com os especialistas e “tentar levar esta ideia para a frente“, garantiu ainda Mariana Orsi.

O Nutrition Shark Tank, organizado por Mariana Nóbrega e com Conceição Calhau e Pedro Pitta Barros como mentores, contou ainda com a mesa redonda “Saúde 360º: uma agenda comum — liderança, prevenção e impacto no território” e um almoço onde os estudantes puderem conversar mais à vontade com os sharks – até porque todos os projetos tiveram abertura de alguns deles para poderem ser discutidos e, quiçá, materializados.