O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, defendeu hoje maior autonomia e qualificação das administrações hospitalares, a implementação do Registo Único de Saúde interoperável entre os vários setores da saúde e a reforma dos cuidados primários.
Estas foram algumas das ideias do PS para a saúde deixadas por José Luís Carneiro no encerramento do fórum “Plano de Emergência e Transformação da Saúde (PETS): Dois Anos de Anúncios por Cumprir”, promovido pelo grupo parlamentar socialista, discurso no qual prometeu que não vai cair naquilo que considerou ter sido “um erro” do atual Governo de prometer respostas fáceis para problemas complexos neste setor.
“A primeira questão está em sermos capazes de capacitar as administrações hospitalares, garantir maior autonomia às administrações hospitalares, qualificar as administrações, garantir que o conhecimento, as qualificações e as experiências são o primeiro critério para fazer as escolhas para quem assume tão grandes responsabilidades na administração hospitalar”, defendeu.
Segundo o líder do PS, deve haver uma “ampla convergência política” para que se possa garantir que nas administrações hospitalares há “a qualidade, a experiência, o mérito, uma cultura de serviço público e uma cultura de compromisso com os interesses gerais do Estado”, o que “significa também dar maior autonomia aos conselhos de administração” dos hospitais.
PS compromete-se a apresentar propostas para a saúde como “partido de alternativa”
“Estarmos quase no fim de maio sem os planos de desenvolvimento organizacional dos hospitais diz bem da crise que se instalou na capacidade de gestão e de organização dos cuidados de saúde”, criticou.
Carneiro defendeu ainda a importância da “implementação do Registo Único de Saúde que seja interoperável não apenas entre os cuidados primários e os cuidados hospitalares”, mas também “com as respostas que são dadas pelo setor social e por outros setores”.
“Isto parece simples, mas é muito exigente porque leva a integração dos sistemas tecnológicos que, como se vê por outras áreas, é uma área muito difícil. É preciso ter coragem, é preciso insistir, é preciso dar força a quem tenha a responsabilidade de garantir essa integração”, apelou, considerando que esta mudança “é indispensável” e pode impedir “repetições de exames de diagnóstico”.
O líder do PS sublinhou ainda a importância de reformar os cuidados primários.
“Nós entendemos que deve haver uma aposta e um reforço, nomeadamente da saúde pública, articulada com os municípios e com os cuidados preventivos, com o desporto, com os hábitos e a cultura de vida das comunidades locais”, disse.
Carneiro apontou ainda ao “reforço da saúde pública” porque não pode haver preocupação com este setor só quando há uma crise como a gerada, por exemplo, pela pandemia de covid-19.
Especialidades ON: “Propomos um colégio ativo, próximo e participativo”
“Por último, a necessidade de valorizar a autonomia e a capacidade para atrair os profissionais. Atrair e fixar os profissionais”, referindo, explicando que o PS tem debatido a “integração do internato médico na carreira médica” e a “introdução da especialidade dos enfermeiros no seu contexto de trabalho”.
Carneiro referiu ainda que “de muito bom grado” os socialistas transmitiram ao Presidente da República, António José Seguro, que estavam “disponíveis para participar também no diálogo interpartidário para constituir uma resposta duradoura” na saúde, referindo-se ao pacto para o setor que está a ser coordenado pelo ex-ministro Adalberto Campos Fernandes.
Segundo o líder do PS, o pacto terá que atender “àquilo que são aspetos e dimensões” com os quais os socialistas estão de acordo.




