Carne e peixe têm preferência, mas maioria já come refeições vegetais 0 169

O II Grande Inquérito da Sustentabilidade em Portugal, da Missão Continente (Grupo Sonae) e do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa indica que mais de metade dos portugueses inquiridos mostram-se dispostos a reduzir o consumo de carne e muitos estão disponíveis para pagar mais por carne de produção mais sustentável.

O estudo indica que os produtos de origem animal (como a carne e o peixe) ocupam uma posição importante nas principais refeições dos portugueses, mas os inquiridos mostraram-se disponíveis para alterar os seus hábitos alimentares e mudar “algumas práticas culturalmente estabelecidas”.

Numa semana típica, os portugueses costumam fazer uma alimentação com refeições com carne branca (média de 4,73 vezes por semana), carnes vermelhas (3,65), peixe (3,5) e uma refeição de base vegetal, sem carne nem peixe (1,95). Os homens tendem a comer quase mais uma refeição semanal com carnes vermelhas do que as mulheres.

Entre os inquiridos que manifestam maior disposição para a mudança de hábitos destacam-se as mulheres, os com nível de escolaridade elevado (ensino superior) e os residentes em áreas metropolitanas.

De facto, 65% dos inquiridos já seguem uma alimentação de base vegetal (sete ou mais refeições de base vegetal ao almoço/jantar, por semana, num total de 14 refeições possíveis).

Dos inquiridos destacam-se as mulheres, os com nível de escolaridade mais elevado (ensino superior) e ambos os polos de rendimento do agregado familiar (600€ ou menos, 2.039€ ou mais).

O estudo mostra também que “a generalidade dos inquiridos se mostra familiarizada com o conceito de agricultura biológica”.

Cerca de 45,1% mostrou-se disposto a seguir uma alimentação de base vegetal, 46,6% mostrou-se disponível para pagar mais por carne proveniente de métodos de produção mais sustentável, e 50,6% manifestou-se com disposição para a reduzir o consumo de carne.

Quanto ao consumo de frutas e vegetais, muitos afirmam não comer fruta (18,8%) ou vegetais (23,6%) pelo menos uma vez por dia. Já os consumidores muito frequentes de fruta e vegetais (três vezes ou mais por dia) rondam os 27,8% e 12,1%, respectivamente.

No que respeita às principais motivações em relação aos hábitos de consumo, a maior parte diz que escolhe alimentos porque são “saudáveis”, “convenientes” e/ou porque “dão prazer” a comer.

No que respeita aos critérios usados na escolha do produto, os inquiridos sublinham sobretudo a relação de preço/qualidade percebida (frescura, aspecto, sabor, preço justo), seguida por critérios de origem do produto (origem local/nacional), critérios de produção e nutrição (valor nutricional, produção biológica), e critérios informativos (ingredientes e valor nutricional).

Relativamente à compra, os inquiridos disseram optar pelos supermercados de proximidade (66,2%) para as compras frequentes de alimentação. Os centros comerciais/hipermercados são a segunda opção (64,2%).

Além dos supermercados de proximidade e dos centros comerciais/hipermercados, é cada vez mais frequente os portugueses recorrerem ao comércio tradicional de proximidade (49,8%) como as lojas especializadas (talhos, peixarias, frutarias), mercearias (39,4%) e as feiras e mercados (39,6%). As idas às cooperativas de produtores/consumidores são menos frequentes (17,2% e 16,4) e apenas 14% recorrem às compras online para adquirir produtos alimentares.

Na hora da compra os portugueses revelam uma clara preferência pelos produtos frescos: fruta (89,3%), vegetais (88,5%), carne (86,9%) e peixe (81,3%). A excepção é para as leguminosas enlatadas, com cerca de 56,2% a comprar desta forma e 48% em produto fresco. No que se refere aos produtos congelados, o peixe é comprado com o dobro da frequência (42,4%) por comparação aos produtos vegetais (21,3%) e a carne (18%).

Quanto à rotulagem dos produtos, os portugueses não se mostram muito informados sobre os símbolos associados às práticas de produção sustentável. Mais de metade (57%) não reconhece qualquer um dos símbolos apresentados no inquérito e os mais reconhecidos – o certificado de agricultura biológica – só é mencionado por 20,9% dos inquiridos.

Este estudo realizou-se entre 7 de novembro e 13 de dezembro de 2018, e analisou 1.600 inquéritos a residentes em Portugal, maiores de 18 anos, estratificado por região, género e idade e tem 95% de intervalo de confiança.

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