
O presidente da Direção do Conselho Nacional de Associações de Profissionais de Educação Física e Desporto (CANPEF), Avelino Azevedo, contestou as declarações da bastonária da Ordem dos Nutricionistas (ON), Liliana Sousa, sobre a estratégia curricular de promoção da atividade física nas escolas.
Numa carta aberta publicada, esta segunda-feira (17), no ‘Público’, Avelino Azevedo rebateu a afirmação de Liliana Sousa, proferida ao mesmo jornal em entrevista, de que “não temos uma estratégia integrada naquilo que são os currículos escolares que faça este trabalho de aculturação à população“, bem como a ideia de que a atividade física nas escolas se poderá limitar “a uma disciplina para a qual é preciso ter aproveitamento para passar de ano”.
A resposta de Avelino Azevedo chega cerca de uma semana depois de Liliana Sousa ter concedido uma entrevista ao ‘Público’ que tinha como foco a obesidade, no contexto da informação recentemente divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) de que mais de metade da população com 18 ou mais anos (57,1%) tinha excesso de peso. Ainda de acordo com o INE, que aponta 17,4% de obesidade nos adultos, a maioria dos portugueses não pratica exercício físico e mais de metade não come diariamente legumes e saladas
Em resposta à observação da jornalista de que os dados mostram uma diminuição da prática de atividade física após a escolaridade obrigatória, a bastonária proferiu as declarações agora contestadas pela CANPEF. Na mesma resposta, Liliana Sousa garantiu que a atividade física “tem de ser uma forma de vida, que deve não só ser incentivada, como mantida após a escolaridade obrigatória e transmitida aos outros também“. A responsável foi ainda mais longe e lembrou que a organização das cidades também desempenha um papel importante, pelo que “temos de pensar” se estas “estão em linha com aquilo que deve ser a disponibilização de espaços ao ar livre“.
De regresso à carta aberta, Avelino Azevedo destacou alguns pontos referentes à estratégia nas escolas. Em particular, garante que “a educação física escolar há muito que superou o paradigma da mera avaliação da aptidão física“, uma vez que “o seu programa oficial curricular está estruturado para promover a literacia motora – capacitando as crianças e jovens com conhecimentos, atitudes e hábitos para adotarem um estilo de vida ativo e saudável ao longo de toda a vida“.
No mesmo sentido, existe uma “articulação interdisciplinar obrigatória” traduzida no Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória e na Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania, onde a educação física se articula “obrigatoriamente com áreas como a educação para a saúde, ciências naturais e cidadania, abordando de forma cruzada e interdisciplinar a nutrição, o bem-estar e a prevenção do sedentarismo”.
Em terceiro lugar, o presidente da CANPEF acrescenta que, no âmbito do Programa de Apoio à Promoção e Educação para a Saúde e ao abrigo da autonomia e flexibilidade curricular, “as escolas desenvolvem Domínios de Autonomia Curricular e Projetos de Educação para a Saúde“. Finalmente, dá como exemplos positivos o desporto escolar e as pausas letivas que “estendem essa aculturação para além da sala de aula”.
Avelino Azevedo salienta que “a luta contra a obesidade e o sedentarismo exige políticas públicas mais arrojadas e um investimento reforçado na prevenção”. Para tal, considera, “essa causa sairá reforçada se reconhecermos e valorizarmos o papel fundamental que a escola e o currículo de educação física já desempenham como a principal rede de aculturação motora e de promoção da saúde no nosso país”.
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“Julgamos que é no trabalho conjunto e multiprofissional – unindo a nutrição, a educação física, a saúde e a comunidade – que poderemos encontrar a base e os caminhos para uma população mais ativa, culta e saudável”, conclui o responsável.




