ONG alerta para “graves repercussões” de cortes na ajuda a pessoas com deficiência

A organização não-governamental (ONG) Handicap International (HI) alertou para as “consequências devastadoras” dos cortes na ajuda internacional às pessoas com deficiências.

Numa pesquisa realizada por esta ONG, foi observado a “contração mais brutal da ajuda na história moderna“, segundo um comunicado divulgado na segunda-feira e citado pela agência Lusa.

As pessoas com deficiências estão ameaçadas pela “exclusão crescente“, pelo “acesso restrito aos serviços essenciais” e por situações que chegam a pôr em risco “a sua sobrevivência”, sublinhou a organização.

Os autores do inquérito, realizado em mais de 35 países, salientam que 2025 registou a maior redução anual da Ajuda Pública ao Desenvolvimento (AOD) alguma vez documentada (23,1%), segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Os grandes doadores, como os Estados Unidos, o Reino Unido, a Alemanha e a França, reduziram os seus orçamentos de ajuda em 2025.

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A tendência geral é a mesma tanto para a ajuda bilateral (-26,4%) como para a ajuda humanitária (-35,8%), pode ler-se no relatório.

Um inquérito em todo o mundo a 177 organizações de pessoas com deficiências revela sérias preocupações sobre os riscos que estes cortes representam.

“Toda a redução orçamental tem consequências humanas: pode privar algumas pessoas do acesso à reabilitação, educação, cuidados de saúde ou serviços de apoio essenciais para a sua independência“, salientou Daniel Suda-Lang, diretor da HI Suíça, citado no comunicado de imprensa.

O inquérito revelou que 79% das organizações de pessoas com deficiências sofreram cortes de financiamento “graves ou muito severos” nos últimos 18 meses, “em todas as regiões e a todos os níveis organizacionais”.

Como resultado, 72% destas organizações cancelaram ou suspenderam pelo menos um programa ou atividade, 43% relatam uma “capacidade fraca ou muito fraca para continuar a sua missão” e 14% afirmam que “correm o risco de encerramento permanente, se as tendências atuais se mantiverem”.

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Os autores do relatório observaram que “os cortes na ajuda afetam desproporcionalmente as pessoas com deficiências, que já enfrentam múltiplas formas de exclusão”.

Além disso, entre as organizações inquiridas, mais de 80% identificaram as crianças, mulheres, raparigas e idosos com deficiências como sendo “particularmente afetados”.

As mulheres e raparigas, em particular, enfrentam “um acesso reduzido a serviços de apoio especializados e uma maior exposição à violência de género“, segundo o relatório.

As organizações inquiridas apelaram, por isso, aos “governos e doadores para que alterem imediatamente as suas políticas de forma a evitar uma maior deterioração dos serviços inclusivos para pessoas com deficiências”.

“A comunidade internacional deve reagir e inverter esta dinâmica antes que os seus efeitos se tornem irreversíveis”, exortou Suda-Lang.