
Sestas estratégicas, ecrãs sob controlo e rotinas flexíveis podem ajudar a garantir equilíbrio familiar e o bem-estar dos mais pequenos
O verão é sinónimo de dias mais compridos, jantares fora de horas, viagens e de um ritmo diferente. No entanto, quando a exceção se torna regra e o sono fica em segundo plano, o impacto no humor, na atenção e no comportamento das crianças e jovens pode afetar o período de férias e o equilíbrio familiar. Para ajudar os pais a desfrutarem do verão com mais tranquilidade, especialistas em sono infantil e juvenil da ESSATLA – Escola Superior de Saúde Atlântica – partilham cinco orientações práticas para proteger o descanso dos mais novos.
“Descansar não é apenas não ter escola: é, essencialmente, dormir bem”, começa por explicar Joana Marques – enfermeira e especialista em sono infantil e juvenil. De acordo com a também coordenadora da pós-graduação em Sono da Criança, Adolescente e Família na instituição de ensino, há cinco regras importantes para colocar em prática durante o período das férias. A primeira diz respeito à flexibilidade inteligente nas sestas: “se, por exemplo, há planos para um almoço fora ou jantar tardio, o ideal será antecipar ou prolongar estrategicamente a sesta. Uma criança que acumula demasiadas horas acordada não adormece melhor. Pelo contrário, pode iniciar um comportamento de maior agitação e irritabilidade”, explica em comunicado.
A segunda regra é relativa ao local das sestas. Segundo Joana Marques, estes momentos nem sempre têm de ser realizados em casa ou no hotel, até porque por vezes esses locais não se compatibilizam com os roteiros das férias. Por isso, a especialista defende que os períodos de descanso podem, e devem, ser incentivados a acontecer no carro, no carrinho, à sombra na praia ou no campo. O essencial será sempre evitar que o horário habitual da criança se desregule drasticamente.
Um outro ponto a ter em atenção é a preservação da autonomia dos mais pequenos mesmo fora de casa. Embora em viagens seja frequente partilhar o quarto ou a cama, a orientação dos especialistas passa pela menor intervenção possível: manter a sequência de hábitos antes de dormir à noite, como a leitura de uma história, e evitar criar dependências difíceis de desconstruir no regresso a casa.
Já a pensar nos adolescentes, Joana Marques destaca duas regras: “nos jovens a tendência é, muitas vezes, adormecer de madrugada e acordar ao meio-dia, alterando profundamente o relógio biológico”. A solução deve passar por combinar limites para a utilização dos dispositivos eletrónicos e fixar um horário minimamente previsível para acordar, suavizando o choque do regresso à rotina escolar.
Regressões no sono: acolher com tranquilidade, sem pânico
Ainda de acordo com a especialista, é crucial que os pais entendam que a mudança de ambiente e alterações de horário podem levar a pequenas regressões no sono, especialmente junto dos mais pequenos. “Há crianças que voltam a pedir a presença dos pais para adormecer ou que passam a acordar mais vezes de noite no regresso a casa”, explica, acrescentando que “estes episódios não devem ser encarados como um fracasso da família, mas sim como algo normal e que deve ser acolhido com paciência”.
Para Joana Marques, o “segredo” está em retomar a rotina e os hábitos de autonomia nos primeiros dias após o regresso a casa, de forma consistente e sem sobressaltos”.




