Cabo Verde vê aquacultura como o “plano B” para a segurança alimentar 555

O ministro do Mar de Cabo Verde, Abraão Vicente, considerou esta terça-feira (13) a aquacultura como o “plano B” e o futuro da segurança alimentar no país e no mundo para dar resposta ao crescimento populacional e turístico.

“O setor da aquacultura, pela sua relevância, tem-se construído como o plano B à contínua escassez de espécies vivas e de recursos que tipicamente levamos aos nossos pratos, tradicionalmente e culturalmente, mas também como parte da capacidade do país de prover aos cidadãos proteína animal em quantidade suficiente”, apontou o ministro, na cidade do Mindelo, ilha de São Vicente, na abertura de um atelier de validação da Plataforma Cabo Verde Aqua, citado pela Lusa.

“É natural que o número de habitantes em Cabo Verde cresça, é natural que com a demanda turística também precisemos no futuro de ainda mais espécie animal vinda do Mar e é natural que para Cabo Verde crescer a partir da aquacultura é preciso uma planificação, ciência e conhecimento e é preciso uma capacidade de dar resposta às constantes demandas do setor privado pela nossa orla costeira”, completou Abraão Vicente.

A plataforma Cabo Verde Aqua foi desenhada tendo em vista o crescimento sustentável do setor da aquacultura, permitindo a identificação das zonas mais adequadas para o desenvolvimento de aquacultura onshore (em terra) e offshore (no mar), em toda a extensão da zona económica exclusiva de Cabo Verde.

“Queremos ter aqui o critério de sustentabilidade, dar as licenças e licenciar as empresas de acordo com a nossa capacidade também de ter um ecossistema ligado à aquacultura, que possa não só prover a Cabo Verde, a nossa indústria exportadora, mas também a nossa indústria nacional quantidade suficiente de espécies”, sublinhou o ministro.

A plataforma promete determinar as espécies que poderão ser alvo de aquacultura, de acordo com as condições climáticas e com a estrutura oceânica de Cabo Verde.

Faz parte do plano estratégico do desenvolvimento do setor das pescas, sendo a pesca e a aquacultura os setores considerados estratégicos para a segurança alimentar, para o desenvolvimento industrial do setor das pescas e para que a cadeia de valores do setor hoteleiro e turístico sejam garantidas a partir do setor nacional.

“Estamos atentos também aos pontos negativos que a aquacultura tem representado em várias partes do mundo”, avisou o governante, que alertou ainda que a aquacultura “não será uma ação milagrosa”, tendo em conta que tem trazido desvantagens em alguns lugares e à depredação de alguns ecossistemas.

O membro do Conselho Diretivo do Instituto do Mar Vito Ramos explicou que nas últimas duas décadas Cabo Verde tem vindo a fazer algumas experiências em aquacultura, mas que muitas delas não foram feitas com base de conhecimento para a melhor decisão.

“Este exercício que estamos a fazer hoje, de começar do zero, é um bom ponto de partida e importante porque das reuniões tidas, ao nível nacional e internacional através dos nossos parceiros e consultores, acabámos por identificar uma série de prioridades. Teríamos que ter um plano estratégico bem claro, mesmo o quadro legal, vamos poder mesmo redefinir o quadro legal, teremos a formação do capital humano, a seleção das melhores espécies de aquacultura”, enumerou.

Em Cabo Verde, mais concretamente na ilha de São Vicente, já existem duas iniciativas privadas em aquacultura como a Fazenda de Camarão no Calhau e o Nortuna na zona de Flamengo, na produção de atum-rabilho.

Segundo Vito Ramos, em todas as ilhas estão identificadas zonas propícias à produção de aquacultura, umas mais potenciais do que outras e que os investidores terão facilidades na decisão do local propício e em quê investir, a partir de agora, tendo em conta principalmente as espécies nativas.

A planificação em termos de zonas, apresentado pela plataforma é tanto onshore (em terra), como é o caso do camarão, ou offshore (no mar).

“Uma vez que já temos as zonas que foram criteriosamente identificadas, conjugando um número grande de fatores tanto ambientais, biológicos, sociais e económicos, acabou-se por definir as zonas potenciais para o desenvolvimento da aquacultura. A partir deste momento esta plataforma irá ajudar a dizer que tipo de aquacultura queremos, fazer uma melhor regulação de que espécies utilizar e também poder atualizar o nosso plano estratégico com base em informações boas”, explicou o responsável, acrescentando que tudo isso irá auxiliar decisões políticas, dos reguladores e potenciais investidores.

Fizeram parte deste processo da construção da plataforma uma equipa contratada pelo Banco Mundial, outra da Direção Nacional das Pescas e do Instituto do Mar.

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