Ao longo da sua vida, as pessoas com doença renal diabética consumirão mais de 17 mil milhões de euros em recursos de saúde e perderão mais de 410 mil anos de vida saudável por incapacidade em Portugal 599

A doença renal crónica e a diabetes poderão causar em Portugal uma perda superior a 410 mil anos de vida saudável por incapacidade e um custo total, ao longo da vida, de aproximadamente 17 mil milhões de euros, revela o estudo “Evolução natural da doença renal crónica em pessoas com diabetes: custos e consequências na realidade portuguesa”, realizado sob coordenação da dra. Margarida Borges (IQVIA e Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência), com o apoio da Bayer. O estudo é apresentado hoje, Dia Mundial do Rim, em Coimbra.

Em comparação com os doentes no estadio inicial, as pessoas com doença renal associada à diabetes no estadio de alto risco apresentam uma redução de 34% da esperança média de vida, uma duplicação dos anos vividos com incapacidade e um aumento dos custos totais em cerca de 81%.

“Em termos de prevalência, Portugal é o terceiro país da Europa com mais pessoas com doença renal terminal e o oitavo em todo o mundo. Até agora, o impacto da doença renal diabética em Portugal era desconhecido e, por isso, a realização deste estudo foi bastante importante para colmatar esta lacuna”, realça Edgar Almeida, presidente da Sociedade Portuguesa de Nefrologia (SPN).

De um modo geral, a análise por nível de risco da doença permite verificar que a progressão da doença está associada a piores resultados. O estudo demonstra que o aumento de risco conduz à diminuição da esperança média de vida, bem como ao aumento dos anos de vida perdidos por incapacidade e dos custos por pessoa. Considerando a totalidade da população, estima-se uma sobrevivência média de 8,62 anos, com 0,59 anos perdidos por incapacidade, e um custo médio lifetime de 24.613 €.

A diabetes é a principal causa primária de doença renal terminal, que se estima vir a ser a quinta causa de mortalidade mundial em 2040. Edgar Almeida acrescenta que “segundo dados já conhecidos, mais de 40% dos doentes com doença renal em todo o mundo iniciam diálise por nefropatia diabética. O estudo apresentado revela que, entre 2015 e 2019, a probabilidade anual de morte de doentes em diálise foi de 12,7%. É fundamental priorizar a doença renal diabética, a fim de combater o risco de maior mortalidade, morbilidade e os custos acrescidos numa doença que se estima impactar 550 mil portugueses.”

Após a realização deste estudo sobre a carga e os custos da doença renal diabética em Portugal, concluiu-se que é necessário dar prioridade aos doentes e continuar a gerar mais evidência clínica, para que futuramente seja possível implementarem-se políticas públicas de saúde capazes de responder às necessidades da população.

O estudo apresentado hoje avaliou a evolução natural da doença renal crónica em pessoas com diabetes, os custos e consequências na realidade portuguesa. Seguiu um modelo epidemiológico de predição de custos e consequências e foi elaborado por Margarida Borges, Luís Silva Miguel e Joana Matias (IQVIA Portugal), Edgar Almeida e Luís Falcão (Hospital Beatriz Ângelo), João Raposo (Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal), Rui Alves (CHUC), Miguel Bigotte Vieira (Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central), Manuel Pestana (CHUSJ), Josefina Santos (CHUP), Ana Paula Silva (CHUA), Gonçalo Duarte, Raquel Ascensão e João Costa (FMUL).

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