10% a 20% das pessoas com diabetes tipo 2 desenvolvem nefropatia diabética 116

“Identificação de perfis de risco para o desenvolvimento de Nefropatia Diabética” – o projeto criado para evitar a progressão da doença

Lisboa, 30 de julho, 2020 – O corpo clínico da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) uniu esforços com a equipa multidisciplinar da Nova SBE Data Science Knowledge Center para desenvolver um projeto, financiado pela Fundação “la Caixa” no âmbito da Iniciativa para a Equidade Social e do projeto “Data for Change”, que prevê a probabilidade de desenvolvimento da nefropatia diabética em doentes com diabetes mellitus tipo 2. Uma complicação que afeta entre 10% a 20% das pessoas com diabetes tipo 2 mas que, se existir um controlo dos fatores de risco, pode ser evitada.

“A nefropatia diabética é uma das complicações associadas à diabetes e é mais frequente em pessoas com valores de glicemia fora de controlo. Além disso, o início da diabetes mellitus tipo 2 é mais difícil de delimitar o que dificulta a determinação do tempo até existirem complicações. Para uma perceção do impacto, em 2018, a nefropatia diabética foi responsável por 31,5% dos doentes em diálise regular, isto é, um terço dos doentes que iniciam um tratamento de diálise fazem-no devido a uma complicação renal relacionada com a diabetes”, explica Rogério Ribeiro, investigador da APDP.

Para evitar o risco desta complicação, foi criado este projeto que tem como objetivo desenvolver um protótipo de um modelo preditivo que informe quais os níveis de risco para o desenvolvimento de nefropatia na população diabética. Esta informação, extraída a partir da análise de dados históricos dos Registos Clínicos Eletrónicos da APDP, vai permitir que os médicos determinem outros fatores e indicadores que condicionem a evolução da doença.

“Um dos sinais precoces da nefropatia é a existência de pequenas quantidades de albumina na urina. A sua presença significa que a função renal se está a deteriorar.” refere João Filipe Raposo, diretor clínico da APDP, e alerta que “o agravar da situação pode levar à insuficiência renal, em que o rim deixa de ser capaz de realizar a sua função de purificação e é necessário recorrer à hemodiálise para que o sangue seja purificado. Como grande consequência temos uma redução na qualidade de vida da pessoa com diabetes acompanhado de grandes custos financeiros e sociais”.

João Filipe Raposo menciona ainda que “é preciso referir que nem todas as pessoas com diabetes vão desenvolver doença renal, se existir um controlo adequado da glicemia e da pressão arterial entre outros fatores. E, como todas as complicações da diabetes, a nefropatia diabética pode e deve ser prevenida. É isso que tentamos alcançar com este projeto permitindo que as equipas médicas atuem proativamente e evitem a progressão da doença”.

A incidência da Diabetes tem vindo a aumentar de ano para ano. Dados de 2019 dão conta de que Portugal regista entre 60 mil a 70 mil novos casos de diabetes todos os anos, a maioria do tipo 2. É ainda evidenciado que cerca de 8% da população está registada como tendo a doença.

O projeto “Identificação de perfis de risco para o Desenvolvimento de Nefropatia Diabética” foi o vencedor da primeira edição do programa “Data for Change”, realizada em 2019 e que contou com candidaturas de mais de 60 organizações. O programa integra a Iniciativa para a Equidade Social, uma parceria da Nova SBE com a Fundação “la Caixa” e o BPI.

Sobre a APDP
Fundada em 1926, a APDP é a associação de pessoas com diabetes mais antiga do mundo. Com cerca de 15 mil associados, desenvolve a sua atividade na luta contra a diabetes e no apoio à pessoa com esta doença, tendo sempre como meta a integração das pessoas com diabetes enquanto elementos ativos na sociedade. A APDP tem sido pioneira na prevenção, na educação e no acompanhamento personalizado. Conhecer melhor a doença e explorar novas formas de tratamento são os seus principais objetivos, a par da criação de estruturas capazes de dar resposta aos diversos problemas que envolvem a diabetes.

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