
Apenas 44% dos portugueses dizem sentir ter controlo sobre a gestão da própria saúde, colocando Portugal em último lugar entre os 20 países analisados no relatório STADA Health Report 2026 hoje divulgado.
O inquérito internacional, que envolveu cerca de 20.000 pessoas, revela que “a maioria dos países sente que tem controlo sobre a gestão da sua própria saúde, mas Portugal fica significativamente atrás”.
Portugal surge na última posição entre os 20 países analisados quanto à perceção de controlo sobre a gestão da própria saúde. Os 44% registados entre os inquiridos portugueses comparam com uma média de 78% nos países abrangidos pelo estudo, enquanto o Reino Unido lidera este indicador com 89%.
O relatório identifica a situação financeira como “um fator diferenciador significativo”, sendo que as pessoas com maior conforto financeiro têm muito mais probabilidades de sentir que têm controlo sobre gestão da sua própria saúde.
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“Isto sugere que a sensação de autonomia na área da saúde é moldada não só pela mentalidade individual, mas também pelo acesso a recursos, pela estabilidade e pela capacidade de fazer escolhas com maior confiança”, refere o relatório, a que a agência Lusa teve acesso.
Os resultados portugueses revelam igualmente uma satisfação com o sistema público de saúde inferior à média dos países envolvidos no estudo, que decorreu entre fevereiro e março de 2026 na Áustria, Bélgica, Bulgária, República Checa, França, Alemanha, Hungria, Irlanda, Itália, Cazaquistão, Lituânia, Polónia, Portugal, Roménia, Sérvia, Eslováquia, Espanha, Suíça, Reino Unido e Uzbequistão.
Segundo o estudo, 54% dos inquiridos dizem estar satisfeitos com o Serviço Nacional de Saúde (SNS), face a uma média de 56%, colocando Portugal na 11.ª posição entre os países analisados.
A nível europeu, a satisfação com os sistemas de saúde parece ter estabilizado após vários anos de descida. Depois dos 74% registados em 2020, o indicador baixou para 58% em 2025 e fixa-se agora nos 56%, sugerindo uma estabilização depois da quebra observada no período pós-pandemia, refere o documento.
O estudo também aponta que os participantes menos satisfeitos revelam menor propensão para realizar exames médicos preventivos, enquanto mulheres e pessoas de faixas etárias mais elevadas continuam a recorrer mais frequentemente a este tipo de cuidados.
Também na autoavaliação da saúde mental, Portugal apresenta um resultado abaixo da média, com 57% dos inquiridos a classificarem a sua saúde mental como boa, quando a média dos 20 países é de 64%, ocupando a 15.ª da tabela, liderada pela Roménia (84%).
O estudo também revela que os portugueses estão entre os cidadãos que mais valorizam a longevidade, com 80% a considerarem importante viver o máximo de tempo possível, acima da média de 75%.
Quando questionados sobre as prioridades para melhorar os sistemas de saúde, 64% dos portugueses defendem a redução dos tempos de espera, acima da média de 58%, enquanto 57% apontam melhorar o acesso aos cuidados de saúde primários, também acima da média dos países analisados (49%).
Para 38%, a prioridade deveria passar por garantir salários justos e boas condições de trabalho para os profissionais de saúde, para um terço reforçar os cuidados preventivos, para 32% melhorar os cuidados prestados aos idosos.
Ampliar os serviços e reforçar o apoio em matéria de saúde mental e prestar melhores cuidados de saúde em zonas rurais e carenciadas são medidas consideradas prioritárias para 26% dos portugueses inquiridos.
Portugal destaca-se ainda por ser um dos países onde mais pessoas dizem sentir-se sobrecarregadas com informação sobre saúde, com 58% a sentir excesso de informação nesta área, acima da média de 46%, sendo apenas ultrapassados pelos participantes do Cazaquistão (69%).
O STADA Health Report 2026 foi realizado pelo instituto internacional de estudos de mercado Human8, em nome do grupo farmacêutico internacional STADA.




