Infraestruturas críticas da saúde estão a ser identificadas para reforçar sistema perante cenários de crise

O diretor Executivo do SNS disse hoje que estão a ser identificadas as infraestruturas críticas da saúde, com a avaliação da dependência de setores essenciais, como a energia ou as comunicações, para reforçar o sistema perante cenários de crise.

Álvaro Almeida, que falava esta quinta-feira (02) na CNN Portugal Summit subordinada ao tema “Resiliência da Saúde perante Emergências Complexas”, organizada em conjunto com a Egas Moniz School of Health & Science, em Almada, lembrou os recentes eventos com impacto na saúde, nomeadamente a pandemia Covid-19, o apagão a 28 de abril de 2025 e o comboio de tempestades que assolou o território no inicio do ano.

Este trabalho, explicou, está a ser feito pela Comissão de Planeamento de Emergência em Saúde, que envolve várias instituições do sistema de saúde e que é presidida pela direção executiva do Serviço Nacional de Saúde.

A Comissão de Planeamento de Emergência em Saúde, adiantou, integra o Sistema Nacional de Planeamento Civil de Emergência e tem como principais funções elaborar os planos que traduzem as políticas de planeamento civil de emergência no setor da saúde e assegurar o estado de preparação e prontidão do setor da saúde.

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“O foco da comissão não é tanto na resposta à emergência quando ela ocorre, mas, sobretudo, na antecipação dos riscos, na preparação das instituições, no reforço da sua resiliência e na coordenação entre todos os intervenientes do sistema”, frisou, citado pela agência Lusa.

Paralelamente ao trabalho que referiu estar a ser feito sobre a dependência das estruturas de saúde dos setores essenciais, o diretor executivo do SNS assegura que “tem sido dada especial atenção à preparação das diversas unidades do SNS, em especial as unidades locais de saúde, na atualização dos respetivos planos de emergência, em articulação com as entidades de proteção civil e com os restantes parceiros”.

“Já desde o início de 2025, e portanto ainda antes do apagão de 28 de abril, que as unidades locais de saúde têm vindo a proceder à revisão e atualização dos seus planos de contingência, e sobretudo no início deste ano, em 2026, com o comboio de tempestades, essa capacidade de prontidão foi demonstrada e beneficiou desse processo de atualização dos planos de contingência”, sustentou.

Por outro lado, referiu Álvaro Almeida, tem vindo a ser desenvolvida a reserva estratégica de contramedidas médicas, ou seja, uma reserva estratégica de medicamentos e dispositivos de saúde que permitam assegurar a continuidade da prestação de cuidado de saúde mesmo em situações de crise.

“Sabemos que não podemos evitar todas as crises, mas podemos preparar-nos para garantir que aconteça o que acontecer, o SNS será sempre capaz de responder às necessidades da população, mesmo no contexto exigente de uma crise”, disse.

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Na sua intervenção Álvaro Almeida referiu também que o SNS “tem demonstrado uma elevada capacidade para responder em momentos críticos” e que “tal deve-se sobretudo à dedicação e espírito de missão dos profissionais de saúde e das suas lideranças”.

“São os profissionais que em poucas horas conseguem reorganizar serviços, redefinir prioridades e garantir que as instituições continuam a funcionar. Aquilo que aconteceu na Unidade Local de Saúde de Leiria, em janeiro, foi um exemplo de como estes profissionais são capazes de responder quando é necessário”, salientou.

A CNN Portugal Summit “Resiliência da Saúde perante Emergências Complexas”, que decorreu ontem na Egas Moniz School of Health & Science, no concelho de Almada, reuniu líderes institucionais, decisores políticos, profissionais de saúde, investigadores, especialistas em proteção civil, tecnologia e gestão de risco para promover uma reflexão estratégica sobre os desafios que moldam o futuro da saúde e da resposta a emergências.