Petição defende a obrigatoriedade do Nutri-score 0 387

O Nutri-score, que já aparece em algumas embalagens alimentares, tem um logotipo retangular dividido em cinco cores e com letras que vão do A ao E.

O sistema de cores (a pensar na população daltónica) vai de verde escuro (o melhor possível) até ao laranja/vermelho (o alimento a evitar).

Este sistema de cores e de letras, avalia através de uma nota global cada alimento.

Esta escala pretende mostrar a qualidade nutricional dos alimentos e, ao mesmo tempo, apostar numa interpretação fácil e rápida.

Para estabelecer a categoria, são considerados os pontos positivos do alimento, como a presença de fibras, proteínas e frutas e legumes, e os pontos negativos, como as calorias, gorduras saturadas, açúcares e sal. Estes critérios são adaptados consoante se fale de alimentos sólidos ou líquidos.

Como curiosidade, a única bebida que consegue atingir o nível máximo é a água, as restantes são na melhor das hipóteses categoria B/verde claro.

No entanto, o algoritmo resultante não releva, por exemplo, os distintos tipos de gorduras (apenas a saturada, mas não as hidrogenadas ou trans, mono e poliinstauradas), e nem o grau de processamento do alimento.

O resultado é uma classificação correspondente à qualidade nutricional global do alimento.

Contudo, pelas regras europeias, este sistema não é obrigatório, é apenas uma recomendação. E por isso tem sido tão difícil de implementar (o processo teve início em 2015), porque a oposição de algumas indústrias do setor é forte. Muitas das maiores empresas do mundo preferem usar os seus próprios rótulos, do que usar este proposto.

Contudo, o Nutri-score já foi adotado em alguns países europeus, como é o caso de França, Bélgica, Espanha, Alemanha, Áustria, Suíça e Eslovénia.

Portugal convive neste momento, com vários tipos de sinalética para comunicar os valores nutricionais dos géneros alimentícios, o que pode gerar alguma confusão.

De acordo com um estudo de 2017, pedido pela Direção-Geral da Saúde, 40% dos inquiridos em Portugal não compreendem a informação nutricional nos rótulos.

O Nutri-score é precisamente uma tentativa de ajudar o consumidor a compreender a mensagem, ajudando-o a tomar as melhores decisões.

Por isso, membros da Organização Europeia dos Consumidores (BEUC), sete associações de defesa dos consumidores (a francesa UFC–Que Choisir, a belga Test-Achats, a alemã VZBV, a holandesa Consumentenbond, a espanhola OCU, a polaca Federacja Konsumentów e a grega EKPIZO) lançaram uma petição pelo Nutri-score, para que se torne obrigatório no espaço dos 28 países da União Europeia.

Até 8 de maio de 2020 está a decorrer a recolha de assinaturas, e caso o patamar de um milhão de assinaturas seja alcançado, a Comissão Europeia terá de analisar a petição.

O Nutri-Score foi proposto pelo EREN, uma equipe de pesquisa em nutrição pública francesa, liderada pelo professor Serge Hercberg. Baseia-se na pontuação nutricional da FSA, criada pela Agência das Normas Alimentares no Reino Unido.

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