Investigadores da UMinho concluem necessidade de incorporar terapias de gestão de stress no tratamento da perturbação obsessivo-compulsiva 252

Investigadores do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS) da Universidade do Minho, concluem que a gestão do stress e a incorporação de terapias que promovam esta gestão são fulcrais no tratamento da Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC). As conclusões, resultantes de um trabalho publicado na “Frontiers in Psychyatry”, são ainda mais relevantes atendendo a que uma em cada 50 pessoas sofre com perturbações obsessivo-compulsivas.

“Este estudo evidencia a necessidade de incorporar terapias de gestão de stress no tratamento da POC. Os resultados mostraram que o uso frequente de estratégias de regulação emocional menos eficazes está associado a níveis mais elevados de stress e não está diretamente relacionado com os sintomas obsessivo-compulsivos”, afirma Sónia Ferreira, investigadora do ICVS da Escola de Medicina.

“A POC afeta a forma como as pessoas regulam as emoções. Para tentar diminuir os efeitos das emoções negativas, os doentes usam normalmente estratégias de regulação emocional menos eficazes, como por exemplo a supressão expressiva. Outras estratégias de reavaliação cognitiva, que alteram a forma como experienciamos as emoções, são mais eficientes, mas são menos utilizadas pelas pessoas com POC”, conclui Sónia Ferreira.

Como a POC está associada a sintomas de stress, este estudo procurou perceber se os níveis de stress afetam a relação entre os sintomas obsessivo-compulsivos e a capacidade de regulação emocional. É através da confirmação desta hipótese que os autores advogam pela incorporação de estratégias de gestão de stress no tratamento da POC.

O estudo foi realizado no âmbito da consulta de Perturbações do Espetro Obsessivo do Hospital de Braga e da equipa de investigação em Doença Obsessivo-Compulsiva do ICVS da Escola de Medicina. Além de Sónia Ferreira participaram neste artigo os investigadores Beatriz Couto, Mafalda Sousa, Rita Vieira, Nuno Sousa, Maria Picó-Pérez e Pedro Morgado.

O artigo está disponível em:
https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fpsyt.2020.594541/full

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