Estudo: Crianças e adolescentes com melhores condições socioeconómicas comem melhor 639

Um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), publicado no British Journal of Nutrition, avaliou a ligação entre o estatuto socioeconómico das crianças e adolescentes portugueses e a alimentação que praticam.

Esta investigação da autoria de Sofia Vilela, Iasmina Muresan, Daniela Correia, Milton Severo e coordenado por Carla Lopes, foi desenvolvido no âmbito da Unidade de Investigação em Epidemiologia (EPIUnit) do ISPUP e do Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física (IAN-AF) 2015-2016.

O estudo denominado por “The role of socio-economic factors in food consumption of Portuguese children and adolescents: results from the National Food, Nutrition and Physical Activity Survey 2015–2016“, concluiu que crianças e adolescentes com melhores condições socioeconómicas tendem a comer melhor.

“Observou-se que o consumo alimentar entre os adolescentes está sujeito a vários níveis de influência, que fogem ao contexto familiar, como a influência que é exercida pelos pares, pela disponibilidade alimentar fora de casa e pela publicidade, que poderão ajudar a moldar as suas escolhas alimentares nessa fase da vida”, indica a investigação.

“As crianças e os adolescentes portugueses que pertencem a um nível socioeconómico mais elevado, e em particular que têm pais mais escolarizados, seguem um padrão alimentar mais saudável. Ainda assim, estes adolescentes consomem grandes quantidades de snacks salgados, o que evidencia que o contexto socioeconómico e a educação dos pais não protegem os filhos de hábitos alimentares menos saudáveis nestas idades”, diz o estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP).

“Percebemos que os adolescentes provenientes de um contexto socioeconómico mais elevado e com pais mais escolarizados, fazem uma alimentação mais saudável, ingerindo maiores quantidades de hortofrutícolas. Ainda assim, consomem elevadas quantidades de snacks salgados, como é o caso das batatas fritas de pacote, o que demonstra que o contexto socioeconómico e a educação dos pais não funcionam como fator protetor para hábitos alimentares menos saudáveis nestas idades”, explicou Sofia Vilela, ao portal da Universidade do Porto.

Esta investigação “pretendeu verificar se existe uma ligação entre o estatuto socioeconómico das crianças e adolescentes portugueses e a ingestão diária de alimentos considerados mais saudáveis, como os hortofrutícolas, carne magra peixe e ovos, e alimentos menos saudáveis, de elevada densidade energética, como bebidas açucaradas e snacks salgados. Até à data, nenhum estudo a nível nacional tinha explorado esta relação, pelo que nos pareceu pertinente levar a cabo a investigação”, explica.

Este estudo avaliou os hábitos alimentares, assim como o peso e a altura, de 1153 crianças e adolescentes, com idades compreendidas entre os 3 e os 17 anos de idade, que participaram no Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física (IAN-AF) 2015-2016. O estatuto socioeconómico das crianças e adolescentes foi caracterizado com base no nível de escolaridade dos pais, na condição perante o trabalho (se estavam empregados ou desempregados), o número de elementos do agregado familiar e a zona geográfica onde vivem (meio rural, urbano ou predominantemente urbano).

Pode consultar o estudo aqui.

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