Estudo: Camarinha poderá ter propriedades anticancerígenas 606

De acordo com um estudo liderado por uma equipa da Unidade de Investigação e Desenvolvimento (I&D) Química-Física Molecular, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), o extrato de camarinha, uma espécie endémica da Península Ibérica, poderá ter propriedades anticancerígenas.

O estudo, realizado no âmbito do projeto IDEAS4life (que pretende valorizar recursos marinhos endógenos, obtidos a partir de plantas marítimas, incluindo as plantas halófitas), contou com o financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), cuja equipa conta com a participação de investigadores da Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC), da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, através da REQUIMTE (Rede de Química e Tecnologia), e do Instituto Superior de Agronomia (ISA) da Universidade de Lisboa (UL).

De acordo com este estudo, nas linhas celulares de cancro do cólon (HT29), observou-se que “extratos de Corema album [nome científico da camarinha] conseguem inibir a proliferação deste tipo de células cancerígenas”.

O extrato obtido a partir das folhas da planta (camarinheira) mostrou-se “mais eficaz do que propriamente o extrato das bagas de camarinha, o que é que muito interessante, atendendo a que as folhas existem durante todo o ano, enquanto as bagas são sazonais”, explicam em comunicado Aida Moreira da Silva e Maria João Barroca, coordenadoras do estudo.

Com o intuito de obter o máximo de informação sobre o comportamento dos extratos, foram aplicadas várias técnicas físico-químicas, entre as quais espectroscopia vibracional: espectroscopia de Raman e de Infravermelho.

Tendo em conta os resultados promissores, a equipa tenciona alargar os testes in vitro, aplicando os extratos em células de outros tipos de cancro.

“Estamos a explorar as várias partes da camarinha e da camarinheira. Mesmo dentro do fruto estamos a explorar evidências e comportamentos que nos possam fornecer informação para eventuais futuros fármacos”, explicam Aida Moreira Silva e Maria João Barroca.

As investigadoras indicaram ainda que estão também a explorar a vertente gastronómica, tendo já recuperado várias receitas antigas, para que, “por um lado, não se perca este património e, por outro, possa contribuir para a subsistência de alguns agricultores da orla marítima portuguesa”.

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