Peste na Rússia? Europa acompanha e OMS aponta para baixo risco no continente

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) disse hoje estar a “acompanhar de perto” a morte de uma trabalhadora de um instituto de investigação na Rússia, após ter sido levantada a possibilidade de peste pneumónica.

“Na sequência da notícia da morte de um trabalhador de laboratório em Irkutsk, na Rússia, devido a uma pneumonia que se suspeita tratar-se de peste pneumónica, o ECDC está a acompanhar de perto a situação”, indicou a agência comunitária em comunicado, citada pela Lusa.

O ECDC acrescentou que, “com base nas informações limitadas atualmente disponíveis, não há relatos de casos secundários nem evidências de transmissão sustentada entre seres humanos que possam provocar uma maior propagação da doença”.

A trabalhadora, identificada por vários meios de comunicação como Daria Shipilova, de 28 anos, trabalhava no Instituto de Investigação Antipeste da Sibéria e do Extremo Oriente, em Irkutsk. Foi hospitalizada no final de setembro e morreu no início deste mês, após desenvolver uma pneumonia grave.

As autoridades russas têm descrito a causa como uma pneumonia de origem desconhecida e negam, até ao momento, que esteja confirmada uma infeção por peste.

Demonstrar o valor da Nutrição para além das consultas

A possibilidade de peste pneumónica surgiu devido ao local de trabalho da mulher, já que o instituto onde trabalhava se dedica à investigação de agentes patogénicos, incluindo a bactéria responsável pela peste.

Na segunda-feira, a Comissão Europeia indicou estar a acompanhar a situação e em contacto com o ECDC, após ter tomado conhecimento das informações sobre um possível surto de peste pulmonar na Sibéria.

OMS aponta para risco “muito baixo”

Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera “muito baixo” o risco para a Europa. “A avaliação inicial do risco realizada pela OMS, com base nas informações disponíveis, estima que este seja entre moderado e baixo em Irkutsk, baixo para a Rússia no seu conjunto e muito baixo para a Europa“, afirmou o porta-voz da organização Christian Lindmeier, também citado pela agência Lusa.

A OMS foi informada pelas autoridades russas da morte, em 02 de outubro, da trabalhadora de um laboratório que investiga agentes patogénicos perigosos na região de Irkutsk, na Sibéria.

As autoridades russas classificaram até agora o caso como uma “pneumonia de etiologia não estabelecida”. Lindmeier afirmou que a OMS está a acompanhar de perto a situação e a trabalhar para manter outros países informados.

Fórum Nacional de Nutrição Clínica: Estão os portugueses protegidos contra a desnutrição clínica?

O porta-voz explicou que o laboratório “estuda agentes patogénicos perigosos, incluindo a peste, numa parte da Sibéria onde esta ocorre naturalmente em animais selvagens”.

Segundo a OMS, as autoridades russas identificaram todas as pessoas que estiveram em contacto com a vítima e estão a acompanhá-las, não tendo sido detetados sintomas até ao momento.

“Com base nas informações não oficiais disponíveis, o risco para a saúde pública da população em geral parece baixo“, afirmou Lindmeier.

A OMS pediu, ainda assim, às autoridades russas informações adicionais sobre o caso, que ainda não foi oficialmente notificado através do Regulamento Sanitário Internacional (RSI).

A organização contactou as autoridades russas em 03 de outubro, depois de o caso ter sido detetado pelo seu sistema interno de vigilância, mantendo desde então contactos com Moscovo.

Oeiras reúne futuros nutricionistas de todo o país

O Governo norte-americano emitiu no domingo um alerta relacionado com o caso, tendo o Kremlin respondido na segunda-feira com um apelo à calma e pedido que sejam consideradas apenas as informações divulgadas pelo serviço russo de defesa do consumidor.

Segundo meios de comunicação russos, vários hospitais de Irkutsk, incluindo uma unidade pediátrica, terão sido colocados em quarentena devido às suspeitas de peste pneumónica, informação que a OMS não confirmou.