O Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas alertou esta terça-feira (02) que os cortes drásticos na ajuda internacional estão a ter um impacto severo na assistência humanitária, expondo dezenas de milhões de pessoas à fome.
O PAM indicou que enfrenta desde o início do ano um défice de financiamento de 75%.
“As carências são sem precedentes: país após país, vemo-nos obrigados a fazer escolhas dolorosas sobre quem ainda podemos ajudar”, declarou a diretora executiva adjunta do PAM para Parcerias e Inovação, Rania Dagash-Kamara, numa conferência de imprensa em Genebra.
Segundo a responsável, estes cortes estão a afetar atividades que “salvam vidas”, mesmo quando se perfilam no horizonte situações de fome iminente em várias regiões, como o Sudão, a Somália, o Sudão do Sul e o Mali.
“Há centros de tratamento de subnutrição a fechar”, lamentou, considerando que o mundo está a realizar “uma experiência em tempo real” que consiste em retirar o seu apoio para depois ver “quem sobreviverá”.
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O PAM pretende este ano auxiliar 110 milhões de pessoas entre as mais vulneráveis do mundo, para tal necessitando de 13 mil milhões de dólares (11 mil milhões de euros) de financiamento.
De acordo com Rania Dagash-Kamara, a agência especializada da ONU apresentava já semelhantes necessidades financeiras há dez anos, mas “desde então, as necessidades duplicaram”.
“Estamos a tentar ajudar muito mais pessoas com muito menos recursos – o que é simplesmente impossível”, observou.
O PAM recebeu 10 mil milhões de dólares (8,5 mil milhões de euros) de contribuições em 2024, mas apenas seis mil milhões de dólares (5,1 mil milhões de euros) no ano passado.
“Isso representa uma queda de 40% nas contribuições e, em consequência, dezenas de milhões de pessoas a quem já não conseguimos chegar”, sublinhou, citada pela Lusa.
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E desde o início deste ano, a agência recebeu apenas 2,9 mil milhões de dólares (2,4 mil milhões de euros).
A diretora executiva adjunta do PAM tinha já reduzido drasticamente as operações da organização antes mesmo da onda global de cortes na ajuda financeira que se seguiu ao regresso de Donald Trump à Casa Branca para um segundo mandato presidencial, em janeiro de 2025.
E apesar de a atenção se centrar nos cortes orçamentais norte-americanos, a responsável recordou que os Estados Unidos continuam a ser o maior doador da organização.
“Mas não conseguimos compensar um défice de financiamento de 75%. Não conseguimos comprar os mantimentos alimentares necessários nem financiar o seu transporte e distribuição”, explicou.
Segundo Dagash-Kamara, o choque mais significativo advém da queda coletiva do financiamento europeu, que representa “o maior défice” do PAM.
“Gostaríamos de ver esta situação corrigida”, afirmou.
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O Programa Alimentar Mundial, que nomeou o sueco Carl Skau como diretor executivo interino, para substituir temporariamente Cindy McCain, desempenhou um papel fundamental na resposta a duas fomes oficialmente reconhecidas em 2025, em partes da Faixa de Gaza e do Sudão.




