A DGS lançou hoje um guia com recomendações para proteger trabalhadores expostos a temperaturas elevadas, incluindo planos de prevenção nas empresas, organização do trabalho e reforço da hidratação para reduzir riscos como acidentes, desidratação e doenças associadas ao calor.
“As alterações climáticas têm originado ondas de calor mais frequentes, intensas e prolongadas em Portugal, que têm profundos impactos na Segurança e Saúde do Trabalho/Saúde Ocupacional (SST/SO)”, alerta a Direção-Geral da Saúde.
Segundo a autoridade de saúde, a exposição a temperaturas elevadas no local de trabalho “reduz a concentração, aumenta a probabilidade de acidentes e contribui para o aparecimento de lesões e doenças relacionadas com o calor”, cita a agência Lusa.
Os trabalhadores mais expostos são os que trabalham ao ar livre, sobretudo ao sol, como na construção, agricultura, silvicultura, pesca, recolha de lixo e serviços de emergência, mas também os que trabalham em espaços interiores quentes, como estufas, fornos ou fundições, ou em locais sem boa ventilação ou ar condicionado.
Entre as principais medidas de prevenção, a DGS recomenda a criação, por parte das empresas, de um “plano de prevenção específico para temperaturas elevadas”, sobretudo em eventos de temperaturas extremas e ondas de calor.
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Na organização do trabalho, deve ser reduzido o tempo de exposição ao calor e aumentado o período de recuperação em zonas frescas, com rotação de tarefas e alternância com ambientes climatizados.
Devem ainda ser planeadas as tarefas mais exigentes para as horas mais frescas do dia, ajustados ritmos e metas de produção e garantido que os trabalhadores não realizem tarefas de maior risco sozinhos.
A autoridade de saúde sublinha também a importância de garantir água potável fresca permanentemente disponível, incentivando a ingestão regular de 15 em 15 ou 20 em 20 minutos, mesmo sem sede.
Ao nível técnico, recomenda a criação de áreas de descanso com sombra ou climatização, reforço da ventilação e arrefecimento, instalação de barreiras contra o calor e isolamento de fontes térmicas.
O vestuário e os equipamentos de proteção individual devem ser adequados ao calor, sem comprometer a segurança, sendo recomendado no exterior o uso de chapéu, óculos de sol e protetor solar.
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A DGS destaca ainda a necessidade de dar formação a trabalhadores e supervisores para reconhecer precocemente os sinais de desidratação, exaustão pelo calor e outras complicações de saúde, bem como a designação de responsáveis com formação em primeiros socorros em cada turno de trabalho.
Defende ainda que os serviços de SST/SO das empresas devem ter um papel central na aplicação de planos de prevenção para temperaturas elevadas, realizando a avaliação de riscos por posto de trabalho — incluindo ambiente térmico, ritmo, vestuário, EPI e condições individuais — e integrando a análise do ‘stress’ térmico.
Devem ainda identificar trabalhadores vulneráveis, como grávidas, pessoas com doenças crónicas ou sob medicação de risco, que necessitam de proteção reforçada.
A DGS explica que o ‘stress’ térmico ocorre quando o corpo não consegue manter a temperatura entre 36°C e 37°C, podendo ultrapassar 38°C em trabalho prolongado, aumentando o risco de doença.
Os principais efeitos incluem insolação, exaustão pelo calor, síncope térmica, cãibras e erupções cutâneas. A insolação é a forma mais grave e pode exigir contacto imediato com o 112.
A Organização Mundial da Saúde estima que 2,4 mil milhões de trabalhadores em todo o mundo estão expostos a calor excessivo, resultando em mais de 22,85 milhões de danos para a saúde por ano.
A Organização Internacional do Trabalho estima que, até 2030, o aumento da temperatura global tornará 2% das horas de trabalho excessivamente quentes para o desempenho seguro das atividades laborais.
Ministra alerta
A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, admitiu hoje preocupações com a vaga de calor que se avizinha e admitiu que as temperaturas venham a ter impacto na mortalidade à semelhança de outros países.
“Quando existem ondas de calor com esta magnitude, naturalmente que o nosso indicador, o Ícaro [sistema do INSA que avalia o impacto das altas temperaturas na mortalidade em Portugal] que mede a relação entre o aumento significativo de temperatura e o impacto potencial na mortalidade, obviamente que acusa aqui a possibilidade de um impacto na mortalidade, tal como está a acontecer noutros países. A França, por exemplo, tem sido um dos países muito fustigado”, disse Ana Paula Martins, citada pela agência Lusa.
Em declarações aos jornalistas em Matosinhos, no distrito do Porto, onde assinalou a abertura do programa de intervenção para dependência de videojogos do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), a ministra da Saúde admitiu que a onda de calor que se avizinha é “muito preocupante”.
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“Naturalmente, fazemos tudo para que esse impacto não se faça sentir e, de facto, na primeira onda de calor, felizmente, não houve impacto. Mas esta que vamos viver agora é uma onda de calor muito, muito preocupante”, disse.
Frisando estar em coordenação com a Proteção Civil, mas sem adiantar que medidas serão adotadas e concreto, Ana Paula Martins aproveitou para fazer apelos aos portugueses para que se previnam e protejam.
“Sigam as instruções dos seus médicos de família, dos enfermeiros, de toda a equipa de saúde. Por favor, sigam as instruções que a Direção-Geral de Saúde está a toda hora a colocar nas redes sociais, nos órgãos de comunicação social. Isto tem-nos ajudado muito, para se protegerem de facto, desta onda de calor”, referiu.




