Quase 30% da população adulta portuguesa vive com obesidade. No âmbito do Dia Mundial da Obesidade, celebrado ontem (04), a Licenciatura em Ciências da Nutrição da Atlântica – Instituto Universitário lançou um alerta para a necessidade de uma abordagem sistémica à saúde metabólica, reforçando que o sucesso clínico depende da compreensão de fatores que extravasam a dieta, como o stress ou a privação de sono.
“Para este ano, a Federação Mundial da Obesidade definiu como tema ‘8 mil milhões de razões para agir’, reforçando que a obesidade não é apenas uma questão de escolha individual, mas também um reflexo de desigualdades estruturais”, explica em comunicado Susana Arranhado, nutricionista e coordenadora da Licenciatura em Ciências da Nutrição na Atlântica.
Coma menos, mexa-se mais: “Continuar a acreditar nisto é ignorar décadas de investigação científica”
Em Portugal, onde o excesso de peso atinge 67,6% dos adultos, os determinantes sociais de saúde, como o nível de rendimento e a estabilidade laboral, surgem cada vez mais como barreiras invisíveis à perda de peso. “Não podemos continuar a apostar num discurso que só olha para as calorias. É imperativo entender o ambiente obesogénico em que as famílias portuguesas estão inseridas”, sublinha Susana Arranhado, alertando ainda para questões como a privação de sono ou o stress, que são atualmente reconhecidos como disruptores metabólicos fundamentais.
O impacto invisível do stress e falta de sono
“A falta de descanso e a pressão psicológica alteram o eixo hormonal (como o cortisol e a grelina), aumentando a fome emocional e reduzindo o gasto energético”, explica a docente. Atualmente, é reconhecido o impacto da privação de sono na resistência à insulina, contribuindo ainda para maior apetite de alimentos ultraprocessados. O stress crónico, tão característico da sociedade atual, é muitas vezes responsável pela acumulação de gordura visceral, que é considerada pelos profissionais de saúde como a mais perigosa para a saúde cardiovascular.
Finalmente, a Atlântica alerta ainda para outras circunstâncias socioeconómicas, que limitam, muitas vezes, a possibilidade de optar por produtos frescos e sazonais, sendo muitas vezes mais barata e fácil uma alimentação com base em ingredientes processados.




