O bastonário da Ordem dos Médicos (OM) anunciou esta terça-feira (03) que vai ser feito um mapeamento de todas as dificuldades existentes na área da saúde em Leiria, decorrentes da depressão Kristin, garantindo que a OM vai ajudar naquilo que puder.
“Vamos, coordenados com o hospital e aqui com a Proteção Civil, com a Câmara, mapear todas as dificuldades que há na área da saúde e depois a Ordem dos Médicos vai ajudar naquilo que puder ajudar”, afirmou Carlos Cortes, que falava após uma reunião nos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde está instalado o centro de operações do município.
Antes do encontro com o presidente da Câmara de Leiria, o bastonário reuniu-se também com o conselho de administração e diretores de serviço da Unidade Local de Saúde (ULS) da Região de Leiria.
“Vamos fazer um apanhado de toda a situação, centro de saúde a centro de saúde, as dificuldades que até o próprio hospital possa ter, determinadas infraestruturas, os lares por exemplo”, referiu à agência Lusa.
O objetivo é “mapear as dificuldades”, voltar nas semanas seguintes para visitar alguns locais que ainda “têm algumas dificuldades” e estabelecer um “plano de apoio, de ajuda” com a Câmara Municipal.
Carlos Cortes referiu que há ainda serviços de saúde com dificuldades devido à falta de eletricidade, mas referiu que foram já introduzidos sistemas alternativos como, por exemplo, a telemedicina.
“Houve apoio de muita gente, isso foi-nos repetido por várias vezes, portanto daqui a uma semana ou duas vamos voltar, vamos visitar estes centros de saúde e vamos colaborar com a Câmara Municipal no sentido de termos um projeto de recuperação, porque há um conjunto de infraestruturas que vão demorar muito tempo, não são semanas, não são meses, vão demorar anos a serem recuperadas”, salientou.
Reforçando que, dentro das competências limitadas nesta área, a Ordem dos Médicos quer colaborar e participar.
Nestas reuniões em Leiria, o bastonário esteve acompanhado pelo presidente do Conselho Regional do Centro, Manuel Teixeira Veríssimo, pelo presidente do Conselho Sub-regional de Leiria, Nuno Rama, pelo coordenador do Gabinete de Medicina Humanitária, Vítor Almeida, e pelo presidente do Colégio de Saúde Pública, Ricardo Mexia.
“A nossa vinda cá foi uma visita relâmpago, não viemos para atrapalhar, viemos para dizer que estávamos preocupados com a situação, que estamos solidários e propor toda a nossa colaboração”, sublinhou.
Na segunda-feira, a ULS da Região de Leiria disse que o Serviço de Urgência estava a funcionar sem qualquer constrangimento, “garantindo resposta plena à população”, e que os centros de saúde sede dispõem de energia e retomaram a atividade nesse dia.
A unidade disse ainda que nos polos que se mantêm inoperacionais “os seus profissionais continuarão a ser redistribuídos pelos centros de Saúde Sede e a prestar cuidados de saúde às populações”.
A área de influência da ULS da Região de Leiria corresponde aos concelhos de Alcobaça, Batalha, Leiria, Marinha Grande, Nazaré, Ourém, Pombal e Porto de Mós. Compreende três hospitais (Leiria, Pombal e Alcobaça) e 10 centros de saúde.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador. Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.




