Nos dias 23 e 24 de outubro, Lisboa recebe a 4.ª edição do Congresso Europeu de Nutrição Materno-Infantil (CEuNMI), encontro científico que reúne profissionais para dois dias de atualização, discussão clínica e partilha de conhecimento em torno dos principais desafios da Saúde Reprodutiva e da Nutrição Materno-Infantil.
Nesta edição, o congresso parte de uma visão ampla do cuidado: “da preconceção ao desenvolvimento infantil, diferentes eventos biológicos estão interligados e exigem do profissional um raciocínio clínico cada vez mais integrado”, garante a organização em comunicado.
A proposta amplia o olhar sobre a Nutrição Materno-Infantil, acompanhando todo o percurso da saúde reprodutiva ao desenvolvimento da criança. Assim, entram em discussão temas como fertilidade, saúde hormonal e intestinal, inflamação, reprodução assistida, desenvolvimento fetal, intercorrências gestacionais, prematuridade, saúde mental materna, neurodesenvolvimento e dificuldades alimentares pediátricas.
A Nutrindo Atuações, liderada pela nutricionista Jacqueline Rodrigues – ideóloga e responsável pelo congresso – compromete-se “com seu propósito de expansão e consolidação como um dos mais importantes eventos científicos da área na Europa”. Em 2026, “marca o início de uma parceria inovadora com a E4, agência brasileira especialista em marketing nutricional e reconhecida por seu pioneirismo e excelência na organização de congressos científicos e eventos de Nutrição e Medicina”.
A Inteligência Artificial chega à consulta clínica
Entre os destaques da programação de 2026 está a Inteligência Artificial aplicada à prática clínica, tema que acompanha uma das discussões mais atuais entre profissionais de saúde.
A programação irá abordar o tema “IA como aliada dos Nutricionistas: o uso adequado e inteligente da ferramenta na consulta clínica”, propondo uma reflexão sobre a utilização da tecnologia como ferramenta de apoio ao profissional.
Na área pediátrica, a discussão avança para “O equilíbrio entre prompts e a interação humana: o futuro promissor da consulta clínica na seletividade alimentar infantil com a IA”, explorando as possibilidades e os limites da Inteligência Artificial no acompanhamento clínico infantil. A proposta coloca em debate não apenas as possibilidades trazidas pelas novas ferramentas, mas também o equilíbrio entre tecnologia, raciocínio profissional e interação humana na consulta.
Dificuldades alimentares pediátricas em diferentes níveis de complexidade
Outro dos grandes momentos da programação será o painel dedicado às Dificuldades Alimentares Pediátricas, reunindo diferentes perspetivas sobre condições que podem representar importantes desafios na prática clínica.
Entre os temas em destaque estão a Perturbação da Ingestão Alimentar do tipo Evitante/Restritivo (PIAER), com foco em fisiopatologia, sinais clínicos e gestão nutricional; as vias alternativas de alimentação em crianças com dificuldades alimentares complexas; e a relação entre disfagia e perturbação alimentar pediátrica, com atenção aos aspetos que devem ser reconhecidos antes da definição da via de alimentação.
O painel evidencia a necessidade de compreender as dificuldades alimentares para além da recusa ou seletividade, considerando diferentes mecanismos, sinais clínicos e níveis de complexidade que podem exigir uma atuação interdisciplinar.
Saúde hormonal e GLP-1: da infância à fertilidade
As alterações hormonais e metabólicas também ganham destaque no primeiro dia do CEuNMI 2026 através do painel Saúde Hormonal e Análogos do GLP-1.
A programação irá abordar o tema “Da puberdade precoce à infertilidade: diagnosticar e tratar as alterações endócrinas na infância com a nutrição”, estabelecendo uma ligação entre acontecimentos que podem começar ainda na infância e repercutir-se na saúde reprodutiva.
Na sequência, será discutido “O papel do GLP-1 na infertilidade associada à SOMP: gestão da inflamação crónica em contextos de alta complexidade”, inserindo o congresso numa nova era da abordagem metabólica e reprodutiva, em que os análogos do GLP-1 passam a ocupar um espaço crescente na discussão sobre obesidade, resistência à insulina e fertilidade.
O painel leva para o congresso uma abordagem que cruza saúde hormonal, metabolismo, inflamação e saúde reprodutiva, reforçando a importância de um acompanhamento nutricional integrado ao longo das diferentes fases da vida.
Uma programação que acompanha todo o ciclo materno-infantil
Além destes destaques, o CEuNMI 2026 terá painéis dedicados a Saúde Intestinal; Cancro e Gravidez; Epidemias Silenciosas, com restrição do crescimento fetal, prematuridade e diabetes gestacional; Fitoterapia Pró- Fertilidade; Cronobiologia e Sono; e Nutrição de Precisão, com foco na inflamação materna e programação de desfechos.
A programação científica reflete a proposta central do congresso: compreender que a Saúde Reprodutiva e Materno-Infantil envolve fatores nutricionais, metabólicos, hormonais, ambientais, comportamentais e fisiológicos que se relacionam ao longo das diferentes fases da vida.
“Muito além de uma discussão sobre condições de forma isolada, o CEuNMI procura criar um espaço para aprofundar mecanismos, conexões e possibilidades de atuação clínica, aproximando a evidência científica da realidade profissional”, explica ainda a organização.
Fomentar a ciência
O CEuNMI aposta num espaço importante para os investigadores, clínicos e académicos da área da nutrição reprodutiva e materno-infantil, incentivando a submissão de trabalhos científicos originais nas áreas temáticas do congresso, fomentando a divulgação de investigação emergente e a partilha de boas práticas clínicas”. O período de submissão encerra a 20 de agosto.
O congresso dispõe de uma Comissão Científica internacional, composta por especialistas de diferentes países e áreas de atuação, e opera em parceria científica e apoio Institucional do Centro Universitário São Camilo, assegurando “pluralidade académica, robustez metodológica e alinhamento com os mais elevados padrões científicos europeus”.
O CEuNMI é um evento presencial com transmissão online simultânea. Acontece nos dias 23 e 24 de outubro no Auditório da Reitoria da Universidade NOVA de Lisboa (Campus de Campolide). As nutricionistas Jacqueline Rodrigues e Aline de Piano são, respetivamente, a diretora científica e a coordenadora da comissão científica desta iniciativa.




