Aluna da UTAD estuda farinha de bolota e da urtiga em receitas de pão 654

Rita Beltrão Martins, aluna de doutoramento do programa Agrichains do Centro de Investigação e de Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB), da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) está a estudar a utilização de farinhas de bolotas e de urtiga em receitas de pão sem glúten.

Ana Barros, diretora do CITAB, e Anabela Raymundo, do Centro de Investigação em Agronomia, Alimentos, Ambiente e Paisagem (LEAF – Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food), do Instituto Superior de Agronomia (ISA), são as orientadoras deste trabalho.

Este estudo tem como intuito a valorização de recursos naturais pouco aproveitados e pouco explorados na alimentação humana, tal como é neste caso a bolota de azinheira e de urtigas.

Enquanto que a bolota é “um ingrediente com elevado potencial nutricional e com diversos benefícios para a saúde”, também a “urtiga, tradicionalmente usada como planta medicinal, apresenta diversas “qualidades funcionais” e tem igualmente “elevado teor em ácidos gordos, carotenoides e compostos fenólicos, sendo um alimento rico em vitamina A, vitamina C, cálcio, ferro e sódio, com elevado teor de fibra, de proteína, em cálcio e ferro”, indica o comunicado divulgado.

“A farinha de bolota, naturalmente isenta de glúten, foi estudada no sentido de analisar a capacidade para produzir pão com características nutricionais benéficas para celíacos, mas também com atributos positivos em sabor, cor, aroma e textura”, explicou Rita Beltrão Martins, na nota da UTAD.

Para Anabela Raymundo, docente do ISA e membro do LEAF indicou que “apesar de fazer pão sem glúten ser um desafio tecnológico, este tipo de farinhas tem apresentado resultados positivos tanto ao nível das características nutricionais, como na melhoria da qualidade organoléptica deste tipo de pão”.

Para a UTAD, a investigação assenta na “relevância da economia circular” e na “importância de desenvolver receitas inovadoras de pão sem glúten”.

“A economia circular e a produção sustentável de alimentos são uma das principais tendências de mercado tendo levado a procurar novas soluções, como a utilização de matérias-primas pouco exploradas na alimentação humana”, explicou Ana Barros.

Segundo as investigadoras, até agora, os resultados têm sido “muito positivos”, pois são ambos “ingredientes com elevado potencial nutricional e com diversos benefícios para a saúde”.

Mas não pretendem ficar por aqui. “Após os estudos realizados, pretende-se agora que estas farinhas sejam utilizadas também em pães convencionais com glúten, dirigidos aos consumidores em geral, através da mistura com farinhas de trigo, de centeio, de alfarroba, entre outras, mantendo igualmente benefícios para a saúde”, concluiu Rita Beltrão Martins.

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