Science Kitchen: chefs e investigadores transformam investigação num menu de degustação

A Fundação Champalimaud voltou a ser palco do Science Kitchen, um evento exclusivo que uniu cinco investigadores e cinco chefs para explorar as sinergias entre a descoberta científica, saúde, a prevenção da doença e a criação gastronómica.

Esta edição pretendeu recriar o diálogo entre a ciência e a gastronomia na descoberta científica e na promoção da prevenção do cancro e da saúde. As duplas colaboraram ao longo de vários meses, passando por uma fase inicial de imersão, em ambiente laboratorial e nos restaurantes dos chefs, que terminou com um evento de apresentação final, na Fundação Champalimaud.

O projeto nasceu em 2025, de uma conversa entre o neurocientista Carlos Ribeiro, investigador principal da Fundação Champalimaud, e Paulo Amado, fundador das Edições do Gosto e responsável pelo Congresso de Cozinha. A primeira edição do evento decorreu no ano passado, tendo participado mais de 70 convidados, com duplas de excelência com chefs como Marlene Vieira, David Jesus, André Cruz e Ana Patrícia Correia.

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O evento envolveu diversos momentos de degustação:

  • Diagnóstico em oncologia: A chef Joana Duarte e a investigadora Rita Fior apresentaram lula, ervilhas e algas, tendo por base a representação visual da biomarcação;
  • Stress e sobrevivência: O chef Alexandre Silva e a investigadora Marta Moita prepararam um prato de peixe inspirado na resposta cerebral dos animais ao medo;
  • Saúde mental: O chef Luís Gaspar e o psiquiatra Joaquim Alves da Silva criaram um prato de carne com amêijoas, a partir do conceito “Memória do Sabor”, que explorou a relação entre prazer, corpo, cérebro e memória na construção das preferências alimentares
  • Proteína vegetal sustentável: O chef Diogo Formiga e o investigador Carlos Ribeiro serviram uma entrada à base de cogumelos e caldo de levedura, remetendo para uma investigação que procura perceber como é que o animal sente o sabor da proteína e decide o que comer.

Prevenção do cancro da mama: As chefs Lara Figueiredo e Daniela, em conjunto com o investigador Andrea de Censi criaram uma sobremesa não inflamatória e sem açúcares que remete para a amamentação e alerta para o risco da maternidade tardia.

Mais do que uma experiência culinária, o Science Kitchen “é um espaço de diálogo inovador que transforma a investigação científica de ponta numa experiência imersiva e acessível através do prato“, explica a Fundação em comunicado.

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“Este encontro prova que a cozinha e o laboratório partilham várias linhas de pensamento. Há elementos que aproximam estas duas realidades, da jaleca e da bata às bancadas de trabalho, mas também o espírito de investigação necessário para que cada ingrediente, tal como cada amostra científica, contribua de forma harmoniosa para o resultado”, diz Carlos Ribeiro, coordenador do Science Kitchen e investigador principal da Fundação Champalimaud.

“A saúde humana exige novos modelos de aproximação à actividade culinária. A ciência foi a mais fresca lufada de ar que a cozinha profissional recebeu nestes últimos 30 anos. Interessa dar seguimento e em partilha, chefes e cientistas têm afinal os mesmos desafios: compreender, prever, fazer acontecer. Estão ambos perante o incerto, com vontade de acção. O Science Kitchen é um movimento de conexão entre a cozinha e a ciência que dando agora os primeiros passos, já muito afirmou e mostrou das mais valias do caminho conjunto. Agradeço à Fundação Champallimaud a parceria mal posso esperar pelos anos vindouros, por mais momentos de partilha e construção”, diz ainda Paulo Amado, coordenador do Science Kitchen e fundador das Edições do Gosto.