O que têm a ver a nutrição e a felicidade no trabalho? Pelos vistos, tudo! 136

O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), através do Departamento de Alimentação e Nutrição (DAN), promoveu no dia 12 de dezembro o 12.º Simpósio Nacional “Promoção de uma Alimentação Saudável e Segura – SPASS 2025”, com o tema “Promoção de ambientes salutogénicos no local de trabalho“. O evento reuniu especialistas e proporcionou um espaço de reflexão sobre o papel da alimentação no bem-estar em contexto laboral.

Uma das oradoras, Tânia Gonçalves Albuquerque, nutricionista da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, salientou que a promoção de ambientes de trabalho saudáveis exige uma abordagem alinhada com referenciais internacionais. “Quando queremos implementar um programa de promoção de ambientes de trabalho saudáveis ou salutogénicos, temos de mobilizar, envolver, diagnosticar, priorizar, planear, fazer, avaliar e melhorar“, referiu. Estes princípios, preconizados pela Organização Mundial da Saúde, pressupõem o envolvimento ativo da liderança e dos colaboradores no processo de mudança.

Entre os pilares para a promoção de estilos de vida saudáveis no trabalho destacam-se a vigilância do padrão alimentar, do peso corporal e do perímetro da cintura, a promoção da atividade física, a monitorização de indicadores metabólicos e de stress, bem como a redução de comportamentos de risco. “A nutrição está na base da promoção da saúde, da prevenção da doença e da manutenção da performance física, mental e cognitiva“, sublinhou a nutricionista.

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O programa “Nutrição em Foco”, implementado no INSA, ilustra esta visão integrada, ao ir além da consulta de nutrição tradicional. Entre setembro e junho foram realizadas 285 consultas, num contexto em que “uma grande parte da população apresentava pré-obesidade ou obesidade e estava exposta a um risco de doença que variava de alto a extremamente alto”. Apesar deste perfil de risco, os casos acompanhados evidenciaram melhorias clinicamente relevantes, incluindo a normalização de parâmetros metabólicos e a reversão de situações de pré-diabetes.

Alimentação, exercício e repouso

A dimensão estratégica da promoção do bem-estar organizacional foi aprofundada por Ausenda Oliveira, coordenadora da Pós-Graduação em Gestão do Bem-Estar e Felicidade Organizacional na Egas Moniz – School of Health & Science, que defendeu que “a promoção de ambientes de trabalho salutogénicos deve ser entendida como um processo estratégico e sistémico, ancorado na gestão“.

Esta visão está na base da Norma Portuguesa NP 4590:2023 – Sistema de Gestão do Bem-Estar e Felicidade Organizacional, que oferece às organizações um referencial estruturado assente no ciclo de melhoria contínua (Plan-Do-Check-Act).

Segundo Ausenda Oliveira, oradora e “mãe” da Norma Portuguesa, o bem-estar corresponde à “satisfação das necessidades físicas, mentais e sociais da pessoa relacionadas com o seu trabalho”, enquanto a felicidade no trabalho é “um estado emocional positivo, percecionado e reportado pelas pessoas”.

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A nutrição emerge como um dos pilares essenciais da saúde ocupacional: “a base daquilo a que chamamos a anatomia da felicidade assenta em três motores: a alimentação, o exercício e o repouso“, reforçando que “a saúde é a base do bem-estar” e que cabe às organizações promover literacia alimentar e apoiar escolhas mais saudáveis.

O encerramento deste simpósio ficou a cargo de Ricardo Assunção, do INSA, que destacou “um momento de aprendizagem e inspiração em torno de um tema que nos toca a todos”. Alexandra Bento, ex-bastonária da Ordem dos Nutricionistas e coordenadora do DAN, lançou ainda o mote para a 13.ª edição, dedicada ao tema “Monitorização da Ingestão de Aditivos Alimentares em Portugal: Uma Estratégia Colaborativa“.

 

Este artigo foi originalmente publicado na edição #99 da revista VIVER SAUDÁVEL