
O novo Inquérito Alimentar Nacional deverá arrancar nas próximas semanas e procura analisar os hábitos alimentares da população, anunciou Liliana Sousa, bastonária da Ordem dos Nutricionistas.
“[Este] foi dos primeiros pontos que levei à discussão com a tutela após a minha eleição e, três anos depois, temos um Inquérito Nacional de Alimentação quase a ser implementado”, declarou Liliana Sousa, bastonária da Ordem dos Nutricionistas, na sessão de abertura da Nutrition in Growth Conference 2026, promovida esta quinta-feira, em Lisboa, pela nutricionista Ana Rachid.
De acordo com a representante da classe, o Inquérito Alimentar Nacional deverá arrancar ainda este mês, dez anos após a realização do último levantamento em Portugal. O início dos trabalhos de campo foi comunicado à Ordem por escrito pela Direção-Geral da Saúde (DGS), anunciou Liliana Sousa. A viabilização deste inquérito surge após a conclusão de um concurso público entre 2025 e 2026, colmatando um hiato de uma década e superando um longo período em que o processo esteve praticamente estagnado.
O arranque do inquérito representa o desfecho positivo de um processo negocial exigente nos últimos anos: “Foram três anos de bater à porta, quase todos os meses. Foram três anos de muita insistência, de muita persistência“, revelou Liliana Sousa. A bastonária admitiu abertamente que, em face da demora e dos sucessivos adiamentos, chegou a equacionar que o projeto não avançaria.
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A concretização desta ferramenta permitirá reunir indicadores científicos atualizados sobre os padrões alimentares da população portuguesa, contribuindo para identificar necessidades de intervenção e apoiar a tomada de decisões em matéria de saúde pública. A informação recolhida poderá também ajudar a fundamentar a organização dos cuidados de saúde e a intervenção dos profissionais de nutrição.
Conhecer a profissão
Em paralelo, a Ordem tem vindo a desenvolver um plano global de caraterização e mapeamento da profissão, abrangendo os vários pilares em que os nutricionistas desempenham funções em Portugal. “Estamos a perguntar-vos o que precisam, o que não precisam, de que forma podemos aproximar a organização dos cuidados privados de saúde daquela que é a organização dos cuidados públicos de saúde e a nutrição tem aqui um papel absolutamente relevante, como todos nós sabemos”, acrescenta a bastonária.
Segundo Liliana Sousa, o número de nutricionistas contratados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) aumentou 25% nos últimos três anos. A permanência de profissionais que ingressaram no sistema durante a pandemia contribuiu para reforçar a resposta assistencial, com um aumento das consultas externas e do acompanhamento direto a doentes internados.
A Ordem realizou também um levantamento junto dos municípios do território continental e das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores, com o objetivo de identificar o trabalho desenvolvido pelos nutricionistas nas autarquias. Estes profissionais desempenham um papel na articulação entre a saúde, o setor social e as comunidades locais. A recolha de informação prossegue junto das instituições do setor social e do setor privado, procurando obter uma visão mais abrangente da presença dos nutricionistas e da organização dos cuidados prestados nos diferentes contextos.
Para Liliana Sousa, este trabalho de diagnóstico, a par da concretização do Inquérito Alimentar Nacional, é essencial para reforçar o reconhecimento da nutrição como uma área central da saúde pública. A responsável sublinhou ainda a importância dos eventos científicos e dos fóruns de debate para sensibilizar os decisores políticos e os responsáveis autárquicos.
Por fim, a bastonária da Ordem dos Nutricionistas apelou aos participantes para que levem a importância da nutrição para as suas atividades quotidianas e contribuam para alargar a sua influência na sociedade. “Levem sempre a nutrição em tudo aquilo que fizerem, dessa forma conseguirão estender esta rede tão importante e tão fundamental para a saúde”, finalizou a representante.




