Moçambique e ONU contra substitutos de leite materno no apoio humanitário às cheias 154

O Governo moçambicano e as Nações Unidas alertaram hoje que substitutos do leite materno não devem ser distribuídos na ajuda humanitária às vítimas das cheias, defendendo a amamentação e o apoio às mães.

“Substitutos do Leite Materno (SLM), incluindo fórmulas infantis, fórmulas de seguimento e leite em pó, biberões e tetinas não devem ser incluídos em distribuições gerais durante as respostas às emergências em Moçambique“, lê-se num comunicado conjunto do Ministério da Saúde, Programa Alimentar Mundial (PAM), Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), consultado hoje pela Lusa.

No documento, que é assinado também por outros parceiros de desenvolvimento na área da nutrição, refere-se que doações de SLM e produtos semelhantes não devem ser solicitadas, aceites ou distribuídas durante o apoio às vitimas das cheias de janeiro em Moçambique, e “qualquer necessidade deve ser avaliada caso a caso” por técnicos especializados daquele ministério.

“As crianças, desde o período da gravidez até aos 2 anos de idade, são particularmente vulneráveis à desnutrição e outras doenças. A amamentação é crucial para a sobrevivência das crianças, sobretudo das mais novas“, defende a mesma posição.

Para estas entidades, durante os períodos de emergências, a amamentação e o apoio às mães tornam-se ainda mais essenciais, “mesmo quando as mães estão stressadas, exaustas, desidratadas, com fome ou doentes”, e sem aconselhamento e apoio adequados, aumenta o risco de práticas inseguras de alimentação, incluindo o uso de substitutos do leite materno.

“Fatores como saúde mental fragilizada, falta de alimentos adequados, ausência de apoio social, distribuição indiscriminada de fórmulas infantis e alimentos com alto conteúdo de açúcar, sal e gorduras, perda de meios de subsistência e mitos relacionados a práticas alimentares podem agravar a situação”, de acordo com o documento.

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O Governo e os parceiros apelam, por isso, a todos os envolvidos na resposta a emergências, nomeadamente nas cheias, que já afetaram quase 725 mil pessoas em Moçambique – para que prestem apoio “adequado e imediato” à alimentação e aos cuidados de bebés, crianças pequenas e suas mães.

“Este apoio é fundamental para garantir a sobrevivência, o crescimento e o desenvolvimento das crianças, bem como para prevenir a desnutrição e outras doenças que possam contribuir para a mortalidade infantil”, explica-se.

As intervenções humanitárias devem também “seguir as diretrizes e regulamentos nacionais de alimentação infantil”, bem como o Código Nacional de Comercialização de SLM.

“Apelamos a todas as equipas e funcionários de resposta humanitária para identificarem as necessidades das mulheres grávidas e das mães que amamentam e fornecerem proteção e apoio adequados para que elas continuem a amamentar. Apelamos aos atores relevantes a fazerem um levantamento das crianças e lactentes menores de dois anos que não recebem leite materno, ou que não podem receber leite materno, e referenciá-los para os técnicos especializados do Ministério da Saúde, para acompanhamento adequado”, refere-se no documento.

Para assegurar a proteção, promoção e apoio qualificados à amamentação, Moçambique e aquelas agências apelam, entre outros, à criação de um ambiente favorável e prestação de apoio especializado, incluindo para as mães sem experiência e crianças que não podem ser amamantadas, sendo fundamental proteger e apoiar as mulheres grávidas e lactantes, assegurando acesso a abrigo, água, alimentação, cuidados de saúde e apoio psicossocial.

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É também importante, defendem, apoiar as mães que vivem com o Vírus da imunodeficiência Humana, a receber os seus medicamentos antirretrovirais e a manter a adesão ao tratamento, e garantir o acesso a alimentos complementares seguros, adequados e nutritivos para crianças a partir dos seis meses de vida, juntamente com informação sobre a sua correta utilização.