A greve de setembro dos técnicos de emergência pré-hospitalar vai manter-se para já, anunciou esta quarta-feira (26) o presidente do sindicato, que admitiu uma aproximação de posições com o INEM e o Ministério da Saúde.
“Para já, mantêm-se a greve” marcada para 14 e 28 de setembro, afirmou o presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH), após uma reunião de várias horas com a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, e o presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), Luís Cabral.
Rui Lázaro referiu que o Governo e o INEM “tiveram oportunidade de se aproximar” das reivindicações do sindicato, que vai receber, nos próximos dias, uma contraproposta que será analisada.
“Para já, a greve continua agendada e, se a contraproposta for possível ser aceite por nós e que percebamos que a resposta que o INEM dá não é colocada em causa e sai reforçada – é isso que pedimos no caderno reivindicativo – teremos todo o gosto em desconvocá-la”, assegurou o dirigente sindical, citado pela agência Lusa.
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Segundo referiu, a reunião de hoje permitiu “clarificar e fundamentar” as preocupações do sindicato relativas à reorganização dos meios do instituto, mas “não foi possível chegar a acordo”, apesar das aproximações verificadas entre as três partes.
Rui Lázaro adiantou ainda que a aproximação de posições refere-se à alocação das 56 ambulâncias de emergência médica para a transferência de doentes entre hospitais e à transformação de ambulâncias de suporte imediato de vida em viaturas ligeiras, duas medidas que o sindicato contesta.
O presidente do sindicato adiantou que não ficou marcada uma nova reunião, mas salientou que tem de ocorrer antes de 14 de setembro, primeiro dia do protesto, caso contrário a greve “vai decorrer normalmente”.
Confirmou ainda que o STEPH vai avançar com uma queixa-crime contra o presidente do INEM, Luís Cabral, por ter referido, numa entrevista à RTP Antena 1, que o sindicato tinha “intenções partidárias ocultas” neste processo.
“Esta decisão já estava tomada. Caso o senhor presidente se tivesse retratado hoje das afirmações que fez, podíamos equacionar desistir da mesma, como não o fez avançaremos para uma queixa-crime”, afirmou o presidente do sindicato.
Em 13 de agosto, o STEPH anunciou dois dias de greve dos técnicos do INEM, a maior classe profissional do instituto, contra medidas de reorganização de meios que têm sido tomadas pelo conselho diretivo, num processo que levou ao extremar de posições entre as duas partes nas últimas semanas.
Em concreto, o sindicato pretende que o INEM desista de transformar as ambulâncias de suporte imediato de vida em veículos ligeiros, alegando que isso retira capacidade de transporte de doentes, e que alargue a rede de ambulâncias de emergência até final de 2027, entre outras reivindicações.
O STEPH considera que a reorganização de meios representa uma diminuição da capacidade de socorro, comprometendo a prestação de cuidados de emergência médica pré-hospitalar, uma redução que o INEM tem desmentido por várias vezes, contrapondo com o reforço da resposta que será dada à população.
Ministra garante serviços mínimos
A ministra da Saúde anunciou esta quarta-feira que serão marcados serviços mínimos se a greve dos técnicos do INEM não for suspensa.
Se a greve não for suspensa, “naturalmente que temos que garantir os serviços mínimos“, disse Ana Paula Martins aos jornalistas no Ministério da Saúde numa declaração sem direito a perguntas.
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Ana Paula Martins referiu que a reunião “decorreu de forma muito construtiva, apesar de não ter ainda sido possível chegar a um entendimento” sobre as revindicações do sindicato.
A ministra disse ainda que tem como objetivo “assegurar aos portugueses o acesso aos cuidados de saúde”, indicando que no centro das medidas governativas estará “a prestação do melhor serviço aos cidadãos”.
Segundo a ministra da Saúde, para a semana haverá uma análise mais detalhada das reivindicações do STEPH por parte do presidente do INEM, “não havendo, naturalmente, por agora, qualquer compromisso das partes” em relação ao desfecho da situação.




