Eurodeputados querem regras comuns às da UE para produtos de pesca importados

Os eurodeputados aprovaram hoje um relatório de Nascimento Cabral (PSD) que propõe critérios comuns aos da União Europeia (UE) para produtos de pesca importados de países terceiros, a exemplo do que ficou negociado com o Mercosul.

O Parlamento Europeu aprovou – por 467 votos a favor, 92 contra e 44 abstenções – a proposta que visa reforçar a sustentabilidade, a competitividade e a resiliência do setor europeu das pescas e da aquicultura.

Não é aceitável que se continuem a impor tantas regras e restrições aos pescadores e industriais do setor europeus e depois aceitarmos a entrada de produtos de pesca e relacionados de países terceiros, sem os mesmos padrões, criando uma pressão sobre os preços e concorrência altamente desleal” referiu o eurodeputado, citado pela Lusa.

Nascimento Cabral destacou ainda que os pescadores europeus cumprem regras ambientais, sanitárias, de segurança, de controlo, de rastreabilidade, de combate à pesca ilegal, acrescentando que a UE não pode “impor estas e outras obrigações aos pescadores europeus enquanto entram no nosso mercado produtos provenientes de países onde essas mesmas exigências não existem ou não são equivalentes”.

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O eurodeputado destacou ainda que a UE importa “mais de 70% dos produtos da pesca e da aquacultura” que consome.

O acordo UE-Mercosul autoriza apenas as importações que cumpram as regras rigorosas da UE em matéria de segurança dos alimentos, mantendo a UE o controlo da proteção da saúde e da segurança europeias através de inspeções e auditorias nos países exportadores.

O texto destaca também a dimensão social do setor, sublinhando a necessidade de garantir direitos laborais, condições de trabalho dignas, remunerações justas e maior segurança a bordo das embarcações de pesca.

Para o eurodeputado açoriano, “defender o futuro das pescas europeias significa também defender as pessoas que trabalham no mar, os nossos pescadores. Precisamos de garantir melhores condições de trabalho, valorizar as profissões ligadas ao setor e criar condições para que os jovens vejam as pescas e a aquicultura como uma oportunidade de futuro.”

No contexto do próximo Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034, o relatório sugere que o financiamento para as pescas e aquicultura deve estar claramente identificado e protegido, permitindo apoiar a modernização do setor, a renovação da frota, a inovação, a renovação geracional e a sustentabilidade das comunidades costeiras.

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Nascimento Cabral apelou ainda para um maior rigor nas importações: tendo alertado o executivo comunitário para “a incongruência que é ter países sujeitos a um regime de cartões amarelos e vermelhos (relacionados com a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada) a continuarem a exportar para a UE. Temos de ser rigorosos”.