Universidade de Évora reuniu especialistas para “repensar a obesidade no século XXI” 93

A Universidade de Évora assinalou o Dia Mundial da Obesidade com a jornada “Repensar a Obesidade no Século XXI: Clínica, Comportamento, Ambiente e Inovação”, que decorreu no dia 4 de março, no Palácio D. Manuel, “reunindo um elevado número de participantes, entre estudantes, investigadores e profissionais de saúde”.

A iniciativa foi organizada pela Escola de Saúde e Desenvolvimento Humano e pelo Departamento de Ciências Médicas e da Saúde, com o objetivo de “promover a reflexão e a partilha de conhecimento sobre um dos mais relevantes desafios de saúde pública da atualidade”, garante a instituição de ensino em comunicado.

Na sessão de abertura, João Nabais, vice-reitor da Universidade de Évora, destacou que a obesidade representa atualmente um grande desafio de saúde pública, sublinhando que cerca de um em cada quatro portugueses apresenta excesso de peso. Na sua intervenção, salientou ainda a importância de “combater a discriminação e a culpabilização associadas a esta condição, defendendo que a abordagem à obesidade deve considerar diferentes dimensões do problema e promover estilos de vida saudáveis”. Acrescentou também que “a natureza multidisciplinar da Universidade de Évora constitui um contexto privilegiado para o desenvolvimento de investigação e inovação nesta área”.

Coma menos, mexa-se mais: “Continuar a acreditar nisto é ignorar décadas de investigação científica”

Por sua vez, Armando Raimundo, diretor da Escola de Saúde e Desenvolvimento Humano, sublinhou a importância de assinalar esta data através da promoção de conhecimento científico e da sensibilização da sociedade para os desafios associados à obesidade. O responsável acrescentou ainda que “os problemas de saúde contemporâneos exigem respostas multidisciplinares e colaboração entre diferentes áreas do saber”.

Na iniciativa realizaram-se diversas sessões temáticas dedicadas às dimensões clínica, comportamental e ambiental da obesidade. Na sessão dedicada à perspetiva clínica e farmacológica, Irene Cortes Verdasca, docente convidada da Universidade de Évora e médica de Medicina Interna no Hospital da Misericórdia de Évora e na rede Hospital da Luz, abordou a obesidade como um fenómeno emergente e multifatorial, salientando que esta é atualmente reconhecida como uma doença crónica complexa. A especialista destacou que fatores biológicos, psicológicos, sociais e ambientais contribuem para o seu desenvolvimento, sublinhando ainda que a abordagem terapêutica deve centrar-se não apenas na perda de peso, mas também na prevenção de complicações associadas e na melhoria da qualidade de vida dos doentes.

Durante a sua intervenção, Irene Cortes Verdasca chamou ainda a atenção para as diversas barreiras que persistem na abordagem clínica da obesidade. Entre estas, “destacou a forma como muitos doentes tendem a encarar a obesidade como uma condição exclusivamente auto-modificável e da sua inteira responsabilidade, o que contribui para a subvalorização da sua natureza enquanto doença crónica complexa”.

Alimentação saudável: Informação há, decisões equilibradas, nem tanto

Paralelamente, referiu também desafios ao nível dos profissionais de saúde, nomeadamente na formulação de um diagnóstico formal de obesidade e na perceção, por vezes limitada, da eficácia de determinadas opções terapêuticas, como os medicamentos antiobesidade. Estas barreiras, sublinhou, reforçam a necessidade de uma maior literacia em saúde e de uma abordagem clínica mais integrada e informada.