A Unidade Local de Saúde do Tâmega e Sousa (ULSTS) criou uma consulta de nutrição dedicada à fertilidade porque “pequenas mudanças alimentares podem ter um impacto direto na saúde reprodutiva”, disse hoje a diretora do serviço.
“A alimentação é mesmo primordial. A nutrição é um dos poucos fatores que podem ser modificáveis facilmente e uma mudança pode ter impacto direto na saúde reprodutiva. Temos de ter noção que a fertilidade começa muito antes da conceção”, referiu Isabel Gomes à agência Lusa.
Destacando que a Consulta de Nutrição Fertilidade e Saúde Reprodutiva foi criada não só para mulheres, mas também para homens, a diretora do serviço de nutrição da ULSTS sublinhou a ideia de que “a nutrição é um ponto muito importante na promoção da saúde e do bem-estar das pessoas”.
“Nas questões de fertilidade, a alimentação dos homens também é determinante. Por exemplo, um homem que apresente défice de micronutrientes, como o zinco e selénio, isso pode comprometer a qualidade dos espermatozoides. Há formas simples de colmatar esse défice”, descreveu Isabel Gomes.
Já no caso de mulheres com síndrome de ovários poliquísticos, disse, “a intervenção nutricional revela-se importante no controlo do índice glicémico, numa eventual perda de peso, na regulação dos ciclos menstruais para promover a ovulação”.
Outro exemplo é a endometriose, doença que exige “uma abordagem mais anti-inflamatória, logo alimentos com essas características”, prosseguiu.
“Às vezes estamos a falar de anos e anos de luta, frustrações, quando há pequeninas coisas que podem ser mudadas e contribuem tanto. Percebemos que às vezes é preciso existir alguém, alguém que o diga, que incentive, dê recomendações, ideias e por isso é que avançamos com esta consulta”, descreveu a diretora.
A Consulta de Nutrição Fertilidade e Saúde Reprodutiva foi criada em março no centro de saúde de Lousada, um dos 11 municípios abrangidos pela ULSTS que junta o Hospital Padre Américo (Penafiel), o Hospital de São Gonçalo (Amarante), e os centros de saúde servindo uma população de cerca de meio milhão de pessoas.
A decisão de colocar esta consulta em Lousada deveu-se a uma aposta na descentralização de respostas, e porque a pessoa que está a fazer as consultas trabalhar nesse concelho e foi “escolhida a dedo” pela sua experiência, formação e pós-graduação na área da saúde reprodutiva em nutrição e alimentação.
Isabel Gomes contou que, em cerca de um mês, se percebeu que existe “muita procura” e até já havia referenciação quer hospitalar, quer dos médicos de família para acompanhamento de utentes com esta necessidade.
Paralelamente, a equipa de nutrição da ULSTS quer aproveitar estas consultas para “recuperar o padrão mediterrânico”, ou seja, criar cada vez mais contextos nos quais se fale em aumentar o consumo de peixe, maior consumo de produtos hortícolas ou o uso azeite como uma gordura primordial.
Por isso, também foi criada em março, nos centros de saúde, e será aberta este mês no hospital de Amarante, uma Consulta de Nutrição Saúde Ocupacional destinada aos cerca de 4.500 profissionais desta ULS.
“Queremos trazer a nutrição para o século XXI. Queremos intervir precocemente em patologias que são muito prevalentes: obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares (…). Tivemos imediatamente muitos pedidos e já há lista de espera. As pessoas querem aprender a comer, mudar os seus estilos de vida, outros têm algum problema de saúde”, descreveu Isabel Gomes.
Acrescentando que esta consulta também visa a otimização do desempenho laboral, a diretora reconheceu que ajuda a formalizar os “pedidos de corredor”, aquele conselho que ficava perdido numa conversa à porta de um gabinete.
“Mas, quem quiser recorrer tem sempre a sua confidencialidade garantida”, salvaguardou.




