Sociedade alerta para papel de défice de uma proteína nalgumas doenças respiratórias 111

A Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) avisou hoje que o défice da proteína alfa-1 antitripsina, produzida pelo fígado, pode estar na origem de doenças respiratórias graves, como a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) e o enfisema pulmonar.

“O principal desafio (…) continua a ser o desconhecimento da doença, tanto na população em geral como entre profissionais de saúde”, lembrou Teresa Martin, da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), citada em comunicado citado pela agência Lusa.

A responsável referiu que, apesar de ser uma condição “relativamente simples de diagnosticar”, continua a ser “pouco testada”, contribuindo para um “atraso significativo” no diagnóstico.

A alfa-1 antitripsina é uma proteína produzida principalmente pelo fígado, cuja função é proteger os pulmões da inflamação e da destruição progressiva do tecido pulmonar.

No défice de alfa-1 antitripsina, uma alteração genética faz com que esta proteína esteja ausente ou exista em níveis muito baixos no organismo, deixando os pulmões mais vulneráveis a lesões ao longo do tempo.

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Por este motivo, esta condição genética aumenta o risco de desenvolvimento de doença respiratória crónica, “podendo também associar-se a doença hepática devido à acumulação da proteína defeituosa no fígado”, explicou a médica pneumologista.

A falta de ar, tosse persistente, infeções respiratórias frequentes, asma de difícil controlo ou o diagnóstico de DPOC ou enfisema – incluindo em não fumadores ou na ausência de fatores de risco conhecidos – são, segundo a SPP, “sinais de alerta” que devem levar a pessoa a considerar o défice de alfa-1 antitripsina.

“Por serem frequentemente indistinguíveis de outras doenças respiratórias mais comuns, estes sinais podem contribuir para o atraso no diagnóstico”, alertou a especialista, lembrando que o diagnóstico precoce pode alterar o prognóstico da doença.

Identificar esta condição atempadamente permite implementar medidas preventivas essenciais (como evitar o tabaco e outras exposições nocivas) e iniciar um seguimento adequado, com impacto na evolução da doença respiratória.

Teresa Martin recordou que há terapêutica específica para esta condição e que o benefício desta intervenção é “tanto maior quanto mais precocemente for iniciada”, sublinhando, no entanto, que não está indicada para todos os doentes, nem em fases muito iniciais sem critérios definidos.

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De acordo com as recomendações nacionais e internacionais, todos os doentes com DPOC, com enfisema precoce ou na ausência de fatores de risco conhecidos, doentes com asma de difícil controlo e os familiares de pessoas diagnosticadas com este défice devem ser testados para esta condição.