Produção mundial de peixe atinge máximo de 235 milhões de toneladas

A produção pesqueira e aquícola atingiu em 2024 um máximo histórico a nível global, com mais de 235 milhões de toneladas, informou hoje a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Este dado consta do relatório “O Estado Mundial da Pesca e da Aquicultura” (SOFIA, na sigla em inglês), apresentado pela FAO no âmbito da conferência “Nosso Oceano“, na cidade portuária de Mombasa, no Quénia.

A agência da ONU salientou que este número confirma o papel “cada vez mais importante” deste setor na alimentação de uma população mundial que está “a aumentar”, cita a Lusa.

“A produção mundial de pesca e aquicultura situa-se em máximos históricos, mas garantir um crescimento sustentável e equitativo continua a representar um desafio importante”, alertou o documento, publicado de dois em dois anos.

A FAO manifestou preocupação com o estado das populações das pescarias marinhas, uma vez que a quantidade de peixes explorados dentro dos limites da sustentabilidade biológica desceu para 62,4% em 2023, menos 2,1% do que em 2021, devido a ajustes metodológicos e reduções da sustentabilidade em algumas regiões.

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Além disso, as melhorias na produção não foram acompanhadas por um acesso mais equitativo a estes alimentos, e a sua disponibilidade ‘per capita’ em regiões como África “continua muito abaixo da média mundial”, apesar da “importância crescente” dos alimentos aquáticos para a nutrição humana.

O papel destes alimentos é especialmente importante nas regiões de baixos rendimentos, onde os alimentos aquáticos de origem animal constituem a fonte mais acessível e económica de proteínas de qualidade, contribuindo assim para melhorar a qualidade da alimentação onde mais é necessário”, acrescentou.

A produção de alimentos aquáticos proporcionou emprego a 65 milhões de pessoas no setor primário, o que lhe confere um papel essencial nas economias rurais e costeiras.

No caso da aquicultura, trata-se do “principal motor do crescimento dos sistemas alimentares aquáticos”, com 142 milhões de toneladas em 2024, das quais 89% na Ásia.

A FAO considerou também que África tem uma produção limitada, apesar do “importante potencial inexplorado”.

Os cinco maiores produtores de animais aquáticos em águas continentais são a Índia, o Bangladesh, a China, Mianmar e o Uganda, que representam 51% do total.

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O comércio das espécies de água doce também se encontra em expansão e, em 2024, atingiu os 186.000 milhões de dólares (cerca de 160.000 milhões de euros), o que indica uma “forte procura mundial” que contribuirá para o desenvolvimento económico e para o aumento dos níveis de nutrição, de acordo com o relatório.

A FAO estimou que o crescimento futuro dos animais aquáticos será determinado principalmente pela aquicultura, com projeções de 214 milhões de toneladas para 2034, face aos 195 milhões de toneladas de 2023, embora a sustentabilidade dependa da “eficiência, inovação e acesso equitativo”.

Além disso, prevê-se que a disponibilidade ‘per capita’ se situe nos 21,9 quilogramas a nível mundial, em comparação com os atuais 21 quilogramas, e que possa diminuir à medida que o crescimento populacional ultrapasse a oferta.

“No entanto, este aumento não será distribuído de forma uniforme. Prevê-se que a maior taxa de crescimento da disponibilidade de alimentos aquáticos de origem animal, tanto em termos de produção interna como de importações, se registe em África (18%)”, acrescentou.