
Benedita Nápoles, estudante do 4.º ano da Licenciatura em Ciências da Nutrição na Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, tomou em dezembro posse como presidente da Associação Nacional de Estudantes de Nutrição (ANEN), substituindo no cargo Luísa Dias, que a convidou.
Com interesse pelas áreas da saúde pública e da gestão da saúde, a responsável aproveita a formação superior para aprender o máximo sobre todas as valências do curso e, embora estude Nutrição, a cozinha está longe de ser um espaço de eleição. O pódio é reservado à praia e ao surf, desporto que vê como essencial para relaxar.
Em entrevista à VIVER SAUDÁVEL, Benedita Nápoles assume como objetivo reforçar a representatividade da ANEN, nomeadamente através do aumento do número de associados. Aos colegas, pede que não se fiquem pela formação científica e que desenvolvam competências transversais.
VIVER SAUDÁVEL (VS) – Porque decidiu abraçar a presidência da ANEN?
Benedita Nápoles (BN) – A decisão de assumir a presidência da ANEN surgiu da vontade de dar continuidade ao trabalho desenvolvido no mandato anterior, para o qual tanto gostei de contribuir e que deixou um sentimento de missão inacabada. Uma vez que estou no último ano da licenciatura e perante o convite feito pela Luísa Dias, considerei este um desafio incontornável, pela responsabilidade de garantir a continuidade e sustentabilidade da ANEN.
VS – Conta com alguma experiência associativa, como vogal do Departamento de Política e Relações Externas da ANEN e como vogal do Departamento de Política Educativa e Ação Social da AEFCNAUP. De que forma estas experiências lhe deram ferramentas para assumir o novo desafio?
BN – O associativismo estudantil teve um papel determinante no meu percurso. Foi na AEFCNAUP que tive o primeiro contacto com este tipo de trabalho, experiência que me marcou de forma muito positiva. Posteriormente, durante o período de Erasmus, cessei funções nessa estrutura, mas consegui dar continuidade ao meu percurso associativo através da ANEN, onde iniciei funções. Estas experiências permitiram-me desenvolver competências e a capacidade de trabalhar em equipa, dimensão que tanto valorizo e que me motiva, e ao mesmo tempo reforçaram a compreensão do impacto que o trabalho coletivo pode ter.
VS – O seu mandato procurará continuar o trabalho de Luísa Dias? Como avalia a sua prestação como presidente da ANEN?
BN – Sim, será um mandato alinhado com a continuidade de muitos projetos do ano transato. O trabalho desenvolvido pela direção anterior trouxe contributos muito positivos para a ANEN, que pretendemos preservar. Naturalmente, encaramos essa continuidade numa perspetiva de crescimento. Ambicionamos ampliar o impacto dos projetos existentes e implementar novas iniciativas, porque acreditamos que a ANEN deve permanecer em constante evolução.
VS – Quais são as suas prioridades para o ano que se segue?
BN – As principais prioridades consistem em reforçar a representatividade da ANEN, nomeadamente através do aumento do número de associados. Pretendemos consolidar parcerias e fomentar relações institucionais próximas, assegurando que um número crescente de estudantes conheça o trabalho da ANEN e se envolva de forma ativa nos projetos que iremos desenvolver.
VS – Que mensagem gostaria de enviar aos estudantes de nutrição?
BN – Gostaria de incentivar os estudantes a investirem não só na sua formação científica mas também no desenvolvimento de competências transversais. O percurso académico deve ser encarado como uma oportunidade para adquirir novas capacidades, criar redes de contacto, aprender o máximo possível e fazer escolhas informadas e conscientes. Acima de tudo, é fundamental que se envolvam na comunidade, nomeadamente em fóruns dedicados à Nutrição e em estruturas como a ANEN, partilhando ideias, dando feedback e contribuindo ativamente para a construção do futuro da profissão de forma crítica e construtiva.
VS – Porque escolheu estudar Nutrição?
BN – Inicialmente, pensei em seguir Medicina, mas acabei por perceber que não seria a escolha mais adequada para mim. Sabia, no entanto, que queria seguir uma área da saúde, e a Nutrição surgiu rapidamente como alternativa. Entrei no curso motivada sobretudo pela vertente clínica mas ao longo do percurso fui percebendo que o campo de atuação do nutricionista vai muito além dessa dimensão. Explorar diversas unidades curriculares e contactar com docentes de percursos profissionais muito distintos despertou em mim um interesse crescente pela Saúde Pública, que é atualmente a área que mais me fascina.
Dupla Graduação em Nutrição e Farmácia integra “medicamentos, alimentação e saúde”
VS – É Responsável de Relações Externas do projeto de voluntariado O Grão, que promove missões para o desenvolvimento em países africanos de expressão portuguesa. Quão importante é para um nutricionista estar ciente de que a atuação nutricional é diferente em determinados países?
BN – O meu percurso n’O Grão iniciou-se com uma missão para o desenvolvimento com a duração de dois meses, durante a qual tive contacto, entre muitas outras realidades, com unidades locais de saúde em Moçambique. A missão é um período que guardo com especial significado, sendo a insegurança alimentar em situações de conflito uma área que gostaria de explorar enquanto nutricionista. Após o regresso, fui convidada a integrar a direção do projeto, convite que aceitei por reconhecer n’O Grão uma organização alinhada com valores que considero fundamentais e com uma forte preocupação em avaliar o impacto do seu trabalho nas comunidades. Trabalhar em organizações com valores sólidos, que procuram gerar um impacto consciente e duradouro, é algo que me motiva e ao qual me dedico com grande compromisso.




