Ministra estranha estudo que coloca maçãs e peras portuguesas entre as frutas com mais pesticidas 751

A ministra da Agricultura Maria do Céu Antunes respondeu esta quarta-feira ao estudo da Pesticide Action Network (PAN), uma rede de mais de 600 organizações não governamentais, que diz que as maçãs e peras portuguesas estão nos lugares cimeiros das frutas europeias com maior quantidade de pesticidas perigosos. A ministra diz que o documento tem “questões muito estranhas” e recorda a “excelência” da segurança alimentar em Portugal.

Em Bruxelas, à margem de um Conselho de Ministros da Agricultura da União Europeia, Maria do Céu Antunes admitiu que o seu Ministério não tinha conhecimento do estudo, mas que “vai analisá-lo”. Citada pela Lusa, acrescentou: “Este estudo, que nós não conhecemos e tivemos acesso a ele pela comunicação social, tem aqui algumas questões que nos parecem muito estranhas, como por exemplo não dizer qual é o valor de que estamos a falar e com que limite é que foi comparado”.

“Quando eu digo que não estamos a cumprir um parâmetro, eu tenho de dizer com o que é que estou a comparar, que é para depois eu poder ter um referencial. E, portanto, é com base nisto que temos de ter efetivamente uma comparação credível, para ter uma informação que seja também ela credível”, frisou.

Segundo a ministra da Agricultura, trata-se um estudo que “não faz qualquer menção ao cumprimento de limites máximos de resíduos que são estabelecidos ao nível comunitário e que são os limites legalmente estabelecidos que garantem a segurança do consumidor”.

“Portanto, estamos aqui perante uma mensagem que me parece inclusivamente alarmista. O que vos posso dizer hoje é que, de acordo com os dados que temos em Portugal e na União Europeia, nós temos condições de excelência ao nível da segurança alimentar para continuarmos a consumir aquilo que produzimos na UE e aquilo que importamos também, porque o controlo de qualidade que é feito manifestamente é o controlo necessário para garantir que aquilo que comemos cumpre os requisitos para a nossa segurança, a nossa saúde e o nosso bem-estar”, disse.

Maria do Céu Antunes recordou ainda que “o agricultor português utilizada aquela listagem de pesticidas que são os homologados em Portugal e aplica-os de acordo com as concentrações que são permitidas por lei”. Assim, o produto, que identifica como “as duas frutas de eleição” dos portugueses, chega ao consumidor “rastreado e verificado”.

“Há, efetivamente, do ponto de vista da segurança alimentar condições hoje em Portugal e na União Europeia como nunca tivemos. Portanto, há condições de segurança e não me parece que neste momento esta mensagem possa trazer qualquer alarmismo que venha aqui a causar qualquer tipo de constrangimento. Aliás, o que seria dos portugueses, sem a nossa maçã e a nossa pera, que são as duas frutas de eleição que nós consumimos sempre e vamos continuar a consumir, porque consumimos em segurança, porque a produção nacional é segura e cumpre os requisitos desse ponto de vista”, reforçou.

A Pesticide Action Network é uma rede de mais de 600 organizações não governamentais, instituições e pessoas de mais de 60 países que querem diminuir os efeitos negativos dos pesticidas perigosos, e trocá-los por alternativas ecologicamente corretas e socialmente justas, divulgou uma análise a fruta fresca europeia relativamente a 2019, segundo a qual as maçãs e peras cultivadas em Portugal estão no segundo lugar do ranking da maior proporção de frutas contaminadas em 2019. Em 85% das peras portuguesas testadas e em 58% de todas as maçãs testadas foi encontrada contaminação por pesticidas perigosos, indica o documento

 

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