Menopausa no centro do debate político em evento que junta decisores e especialistas em Lisboa 46

Cerca de três milhões de mulheres em Portugal vivem diferentes fases da menopausa, uma etapa natural da vida que continua, no entanto, marcada por silêncio, desinformação e falta de resposta nas políticas públicas.

É neste contexto que se realiza, no próximo dia 28 de março, no Auditório dos Serviços Sociais da Câmara Municipal de Lisboa, o evento “Menopausa e Direitos Humanos – Da Lei ao Compromisso”, que reunirá decisores políticos, profissionais de saúde, juristas e figuras públicas. A iniciativa, promovida pela VIDAs – Associação Portuguesa de Menopausa, tem como objetivo colocar a menopausa no centro da agenda pública.

Apesar do seu impacto significativo na saúde, no bem-estar e na vida profissional das mulheres, a menopausa permanece pouco reconhecida e frequentemente desvalorizada. Durante décadas, sintomas físicos, emocionais e cognitivos foram atribuídos a fatores como stress ou envelhecimento, contribuindo para a invisibilidade desta fase da vida.

O evento surge num momento particularmente relevante: pela primeira vez, a menopausa foi reconhecida na legislação portuguesa através do Orçamento do Estado para 2025, com continuidade prevista para 2026. Este enquadramento prevê a integração da menopausa nas políticas de saúde pública, nomeadamente ao nível da formação de profissionais de saúde, do reforço da literacia em saúde e da criação de respostas clínicas mais adequadas às necessidades das mulheres. Trata-se de um passo inédito que “abre caminho a uma abordagem mais estruturada e institucional a esta fase da vida”, garante a VIDAs em comunicado.

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“Estamos a falar de milhões de mulheres, de saúde, de trabalho e de qualidade de vida. Este é o momento de trazer a menopausa para o centro da conversa pública”, afirma Cristina Mesquita de Oliveira, presidente da associação organizadora.

Ao longo da manhã, especialistas nacionais e internacionais irão discutir evidência científica, desafios clínicos e respostas necessárias no acesso aos cuidados de saúde. Em paralelo, o debate político procurará traduzir o recente enquadramento legal em medidas concretas.

Entre os participantes confirmados estão Marta Temido, eurodeputada e ex-ministra da Saúde; Manuel Pizarro, médico e ex-ministro da Saúde; Catarina Martins, eurodeputada; João Massano, bastonário da Ordem dos Advogados e a médica de saúde pública Graça Freitas, ex-diretora-geral da Saúde, bem como representantes de instituições nacionais e europeias das áreas da saúde e dos direitos humanos. A sessão contará ainda com representantes institucionais e vários grupos parlamentares, refletindo a crescente relevância do tema.

Mais do que uma conferência, “esta iniciativa pretende afirmar a menopausa como uma questão de cidadania, promovendo maior literacia em saúde e mobilizando decisores para um compromisso efetivo com a qualidade de vida das mulheres”.

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O evento assinala também o 5.º aniversário da VIDAs – Associação Portuguesa de Menopausa, organização da sociedade civil fundada em 2019 e dedicada à literacia em saúde, participação cívica e desenvolvimento de políticas públicas baseadas em evidência científica nesta área. A associação foi “a principal entidade cívica responsável pelo trabalho de sensibilização pública e institucional que conduziu à inclusão inédita da menopausa na legislação portuguesa e reúne atualmente uma comunidade ativa de cerca de 50.000 pessoas comprometidas com esta causa”.