Em comunicado, Luís Campos, médico e presidente do CPSA, refere que “os efeitos nos serviços de saúde resultam de danos estruturais, falhas no abastecimento de água e eletricidade, dificuldades de acesso às unidades e insuficiência de profissionais, conduzindo à inoperância total ou parcial de múltiplos estabelecimentos de saúde”.
Já, ainda de acordo com o responsável, os problemas de saúde pública associados às inundações “fazem com que o número total de vítimas desta catástrofe seja seguramente muito superior ao das vítimas diretas reportadas pelos meios de comunicação social. Entre as principais causas encontram-se a dificuldade de acesso a cuidados de saúde, os acidentes ocorridos durante ações de limpeza e reparação das habitações, bem como o aumento de doenças infeciosas de origem hídrica, doenças cutâneas, contaminações químicas e perturbações da saúde mental”.
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Entre os estabelecimentos de saúde afetados, Luís Campos aponta “hospitais públicos e privados, centros de saúde, clínicas, unidades de exames complementares de diagnóstico, unidades de cuidados continuados, farmácias, centros de hemodiálise e postos de colheita de análises clínicas”.
Segundo informações apuradas pelo CPSA:
- O Hospital da Figueira da Foz foi obrigado a encerrar o bloco operatório;
- No Hospital de Leiria registaram-se adiamentos de consultas e cirurgias, tendo sido necessária a aquisição urgente de geradores por inexistência de capacidade suficiente;
- O Hospital CUF Leiria permaneceu encerrado durante vários dias;
- Centros de saúde como os de Fátima e da Batalha ficaram sem água e sem eletricidade, obrigando à transferência de vacinas para hospitais;
- O centro de saúde de Alvaiázere ficou destruído;
- Em alguns casos, o fornecimento de gasóleo foi priorizado para supermercados em detrimento de centros de saúde;
- Quatro postos de colheita dos Laboratórios Germano de Sousa tiveram de encerrar;
- Várias farmácias tornaram-se inacessíveis ou inoperacionais.
- Também os doentes em cuidados domiciliários foram significativamente afetados.
Recomendações do CPSA
Face a este cenário, o CPSA recomenda que, em situações de catástrofes climáticas, sejam adotadas de forma imediata as seguintes medidas:
- Realização de uma inventariação rápida e sistemática de todos os estabelecimentos de saúde com inoperabilidade total ou parcial, ou com dificuldades de acesso.
- Implementação de planos de contingência robustos, a nível local, regional e nacional, que permitam identificar e priorizar as necessidades de cuidados das populações e dos doentes, incluindo os que se encontram em cuidados domiciliários, garantindo respostas adequadas e atempadas, que integrem os sectores público e privado do sistema de saúde, bem como orientações claras à população sobre eventuais alterações na referenciação.
- Implementação rápida de medidas de saneamento, gestão ambiental e controlo integrado de pragas, incluindo a desobstrução das redes de drenagem e a redução de fontes de alimento e abrigo para roedores e insetos, de modo a minimizar os riscos acrescidos para a saúde pública.
- Comunicação eficaz à população dos cuidados a adotar, incluindo as orientações da Direção-Geral da Saúde, utilizando canais e linguagens adequados a cada grupo populacional.
- Monitorização sistemática dos problemas de saúde decorrentes das inundações, incluindo o número de vítimas indiretas, assegurando uma resposta eficaz e contínua por parte dos serviços de saúde.
Por fim, o CPSA reafirma, no comunicado citado, que “a adaptação do sistema de saúde às alterações climáticas é uma prioridade de saúde pública e uma responsabilidade coletiva que não pode continuar a ser adiada”.




