“Desafio do paracetamol”: Médicos e farmacêuticos alertam para risco de morte 146

A circulação nas redes sociais de conteúdos que incentivam à ingestão excessiva de paracetamol constitui um sério risco para a saúde, apontam médicos e farmacêuticos. A Ordem dos Farmacêuticos (OF) alerta para o aumento desta prática, principalmente entre adolescentes, e apela à necessidade de prevenir comportamentos de risco e de garantir a utilização segura e informada dos medicamentos.

Notícias recentes têm dado conta de um aumento de comportamentos de risco associados à circulação nas redes sociais, nomeadamente entre adolescentes, do “desafio do paracetamol”, no qual é incentivada a toma deliberada de doses elevadas deste fármaco. Este é um fenómeno que tem vindo a ser observado em diversos países europeus, nomeadamente Alemanha, Bélgica, Espanha, França e Suíça, e que representa um risco significativo para a saúde.

Neste contexto, em comunicado, a OF alerta que “a toxicidade do paracetamol pode manifestar-se antes do aparecimento de sintomas clínicos, pelo que se torna imperativa uma abordagem preventiva e informada junto desta população”.

O maior risco associado ao seu uso consiste “na ingestão de doses superiores às recomendadas. Em adultos, a dose diária de paracetamol não deve geralmente ultrapassar os 3 g (500 mg a 1 g a cada 4–6 horas), devendo ser reduzida em caso de doença hepática ou presença de fatores de risco. Nas crianças, a dose é calculada com base no peso corporal”, indica a OF, acrescentando que “a sobredosagem pode provocar lesão hepática grave e irreversível, podendo evoluir para insuficiência hepática aguda, necessidade de transplante hepático e, em casos extremos, morte. Em casos menos frequentes podem também ocorrer lesões renais, sobretudo associadas a utilização prolongada e/ou ingestão excessiva”.

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A sobredosagem pode ocorrer por ingestão única de uma dose elevada ou por uso crónico acima das doses recomendadas. Os sintomas iniciais surgem geralmente nas primeiras 24 horas e incluem náuseas, vómitos, sudação, mal-estar e letargia.

A OF alerta ainda que “à medida que o dano hepático progride, pode surgir dor abdominal, evoluindo para complicações graves. Perante suspeita de sobredosagem, deve ser procurada assistência médica imediata, mesmo na ausência de sintomas, pois o tratamento é mais eficaz se iniciado precocemente”.

“Risco sério e potencialmente fatal”

Por sua vez, a Ordem dos Médicos (OM), através Colégio de Farmacologia Clínica e do Colégio de Pediatria, alerta em comunicado que “a ingestão deliberada de doses elevadas de paracetamol, promovida em conteúdos virais (“desafio do paracetamol”), constitui um risco sério e potencialmente fatal”.

De acordo com a OM, sublinha que, “nas primeiras horas, e até no primeiro dia, pode não haver sintomas relevantes”, pelo que “essa aparente normalidade é enganadora e leva a atrasos perigosos no tratamento”.

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Em caso de suspeita de excesso, “não [se] deve esperar por sintomas” e contactar “imediatamente o CIAV INEM 800 250 250 (gratuito) e, em situação de emergência, ligar 112 e recorrer ao Serviço de Urgência“.