Qual o impacto do petróleo no preço dos alimentos e que estratégias devemos adotar? 131

Com 15% do consumo global de combustíveis fósseis associado à produção, processamento, transporte e consumo de alimentos – com o sistema alimentar como um todo a utilizar cerca de 30% da energia mundial – importa refletir acerca do impacto da subida do preço do petróleo no preço dos alimentos.

“A que se deve esta subida dos preços dos alimentos? Como é que o preço do petróleo influencia tanto o sistema alimentar? Todos os alimentos serão afetados de igual forma? A descida do IVA nos alimentos poderá resolver o problema?” As respostas fazem parte do mais recente ensaio de Pedro Graça, diretor da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, e Maria João Gregório, diretora do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da DGS, no blogue “Pensar Nutrição”.

Os pesticidas, os herbicidas, os plásticos utilizados em embalagens, o fabrico de equipamentos agrícolas e o transporte de alimentos ao longo de grandes distâncias tornam o petróleo importante para a cadeia alimentar. “Portugal é um dos países que tem uma das cadeias de distribuição mais dependentes do transporte rodoviário na Europa”, explicam, para concluir que “o aumento do custo destes fatores de produção vai certamente ter influência no preço dos alimentos que impactam desproporcionalmente as famílias com menos rendimentos”.

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Para mitigar o impacto do aumento dos preços dos alimentos, os governos podem seguir três grandes grupos de medidas: políticas orientadas para os consumidores (como redução de impostos e subsídios), políticas comerciais e de mercado (redução de tarifas ou limites às exportações, por exemplo), e políticas orientadas para os produtores (onde se incluem os subsídios a fertilizantes e outros fatores de produção).

A sua aplicação, contudo, deve ser fortemente suportada por evidência, garantem os investigadores. “Acresce que políticas mal desenhadas podem gerar efeitos contraproducentes e, em alguns casos, contribuir para agravar os problemas que procuram resolver“, acrescentam.

A análise disponível parece indicar que “as políticas mais eficazes são aquelas que aumentam a oferta de alimentos ou apoiam diretamente os grupos mais vulneráveis, em vez de intervenções generalizadas no mercado”, ainda que a complexidade associada à temática, bem como a ausência de dados conclusivos, exijam cautela no que a certezas diz respeito.

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Aceda ao ensaio “O impacto do petróleo no preço dos alimentos e estratégias de mitigação” aqui.