Osteoporose: “Antes do suplemento, está o alimento”

Por ocasião do Dia Mundial da Osteoporose, celebrado esta terça-feira, dia 20 de novembro, a Associação Portuguesa de Osteoporose (APO) chamou a atenção para uma fase da vida muitas vezes esquecida quando se fala de saúde óssea: a adolescência.

A maioria das pessoas associa a osteoporose ao envelhecimento. No entanto, a ciência mostra que a saúde óssea começa a ser construída muito antes. É durante a infância, adolescência e início da idade adulta que se desenvolve uma parte importante do capital ósseo, culminando no chamado pico de massa óssea, momento em que os ossos atingem a sua máxima densidade e resistência.

Segundo a International Osteoporosis Foundation, um aumento de apenas 10% na massa óssea máxima durante a juventude pode estar associado a uma redução de cerca de 50% do risco de fratura osteoporótica ao longo da vida.

“A força que construímos hoje acompanha-nos durante décadas. Os jovens reconhecem a importância da proteína e do exercício para os músculos. O que queremos é ajudar a compreender que os ossos também precisam de atenção. Construir osso é tão importante como construir músculo”, afirma em comunicado Pedro Cantista, presidente da Associação Portuguesa de Osteoporose.

Os ossos não são estruturas passivas: aprendem com os estímulos que recebem

O nosso organismo possui uma extraordinária capacidade de adaptação. Todos os dias, as células recebem sinais daquilo que fazemos: quando nos movimentamos, quando praticamos exercício, quando nos alimentamos ou quando descansamos.

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Os especialistas descrevem esta capacidade de resposta como uma forma de “inteligência celular”. Embora não seja um conceito clínico, ajuda a explicar uma realidade simples: os ossos não são estruturas inertes. Adaptam-se aos estímulos que recebem.

Quando corremos, saltamos ou praticamos atividade física, estamos a enviar sinais às células ósseas para que se tornem mais fortes e resistentes. Quando garantimos uma alimentação adequada, estamos a fornecer os nutrientes necessários para essa construção.

Os músculos têm a proteína, os ossos têm o cálcio

A proteína ocupa hoje um lugar central na conversa sobre desempenho físico. A APO quer agora alargar essa conversa e lembrar que um corpo forte não se constrói apenas através dos músculos.

Durante a adolescência, período de rápido crescimento do esqueleto, a International Osteoporosis Foundation recomenda uma ingestão de 1.300 mg de cálcio por dia entre os nove e os 18 anos. “Mas é precisamente nesta fase que muitos jovens ganham autonomia alimentar e substituem alimentos nutricionalmente importantes para o crescimento por refrigerantes, snacks e produtos ultraprocessados“, lembra a APO.

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O leite “continua a ser um dos alimentos mais completos para a saúde óssea, fornecendo não apenas cálcio, mas também proteínas de elevada qualidade e outros nutrientes importantes para o crescimento e desenvolvimento, como fósforo, iodo e vitamina B12″.

Antes do suplemento, está o alimento

Num contexto em que a suplementação ganha cada vez mais protagonismo entre os jovens, os especialistas recordam que os suplementos podem ter lugar em situações específicas, mas não substituem uma alimentação equilibrada e variada.

Tal como o cálcio fornece materiais de construção para o osso, o exercício fornece o estímulo necessário para o seu desenvolvimento e fortalecimento. No entanto, mais de 80% dos adolescentes não cumprem os níveis recomendados de atividade física, apesar da importância do movimento para a saúde óssea e muscular.

Neste Dia Mundial da Osteoporose, a mensagem da APO é clara: “constrói enquanto cresces, protege para te manteres forte“.