A Ordem dos Nutricionistas (ON) propõe uma maior presença destes profissionais na resposta à população em casos de emergência. Aposta num Plano Nacional de Segurança Alimentar em Situações de Catástrofe é uma das propostas apresentadas ao Governo, depois das recentes tempestades em Portugal.
No âmbito do processo de consulta pública sobre o PTRR – Portugal, Transformação, Recuperação e Resiliência do Governo Constitucional, a ON revelou as propostas que apresentou ao Executivo no sentido de garantir uma maior segurança alimentar e nutricional em casos de catástrofes de larga escala. “Um tema crítico permaneceu não mediatizado: o acesso a alimentos pelas populações afetadas“, garante a Ordem.
“Quando o acesso a alimentos adequados e seguros não é garantido, o direito à saúde, que inclui a alimentação e a nutrição, fica comprometido, expondo as populações vulneráveis a riscos imediatos e de médio, longo prazo”, destaca a ON, que vai mais longe: “Garantir o acesso aos alimentos e a manutenção de um estado nutricional adequado deve ser o centro das medidas de proteção às populações afetadas por situações de emergência”.
Avaliação, resiliência, segurança e educação
São vários os contributos apresentados, tais como a “implementação de mecanismos de avaliação célere da insegurança alimentar nas populações afetadas, permitindo orientar os apoios públicos e priorizar os agregados familiares em maior situação de vulnerabilidade”. Mas também a “formação de agentes locais e autarcas em gestão alimentar e nutricional em emergência” ou a “continuidade da oferta e distribuição de refeições escolares equilibradas durante encerramentos ou eventos extremos“.
São ainda propostos “o desenvolvimento de guias práticos sobre o armazenamento, a preparação segura e a adequação alimentar e nutricional“, a “monitorização da qualidade nutricional dos alimentos e das refeições distribuídas”, o “apoio de nutricionistas na conceção, planeamento e implementação das operações de alimentação emergencial“, a “definição de protocolos de resposta rápida de cozinhas coletivas, equipamentos escolares ou sociais”, e o “desenvolvimento de ações intersectoriais para promoção da segurança alimentar e nutricional com a implementação de políticas e programas que contemplem alimentos com custo acessível”.
Literacia: “Os nutricionistas têm um trabalho fundamental a fazer nesta área”
A ON sugere igualmente a “revisão dos Planos Municipais de Emergência de Proteção Civil, integrando a dimensão alimentar e nutricional”, bem como “a presença obrigatória de nutricionistas nas estruturas municipais de proteção civil, em articulação com os serviços de saúde e de ação social”.
Finalmente, esta Associação Pública Profissional propôs a “formação universitária e pós-graduada em nutrição de emergência e gestão alimentar em crises“, a “promoção de investigação sobre segurança dos alimentos, segurança alimentar e sistemas alimentares resilientes”, e o desenvolvimento de um Plano Nacional de Segurança Alimentar em Situações de Catástrofe, “com o objetivo de reforçar a capacidade do país para garantir o acesso a uma alimentação adequada, segura, suficiente e nutricionalmente equilibrada em contextos de emergência e disrupção social, ambiental ou económica”.
Aceda ao documento com os “Contributos da Ordem dos Nutricionistas” aqui.




