Investigadores conseguem controlar e eliminar a bactéria que causa a listeriose no leite 378

De acordo com um estudo publicado na revista científica Food Microbiology, investigadores da Escola Superior de Biotecnologia (ESB) da Universidade Católica Portuguesa, no Porto, conseguiram eliminar e controlar no leite a bactéria que causa a listeriose, com base num método alternativo e “mais amigo do ambiente”.

O estudo visava desenvolver tecnologias alternativas para eliminar a Listeria monocytogenes, a bactéria patogénica transmitida por alimentos que “mais mata na Europa e que mais hospitalizações causa”.

O método usado foi a “tecnologia das barreiras”, em que se submete a Listeria a três tratamentos: a proteínas produzidas por bactérias “amigas do homem”, a bacteriófagos (vírus que ‘comem’ as bactérias) e a uma tecnologia “emergente de alta pressão”.

“Combinando estes três tratamentos conseguimos controlar a Listaria. Além de a eliminarmos, impedimos que eventuais sobreviventes possam desenvolver-se novamente durante o armazenamento”, explicou Paula Teixeira, investigadora da ESB, à Lusa.

Segundo a investigadora, esta combinação de tratamentos “nunca foi utilizada” pela comunidade científica, é “mais eficiente e amiga do ambiente”.

“Neste tratamento, a eficiência energética é diferente porque temos menos gastos do que com o tratamento convencional do leite, que é o tratamento térmico”, indicou.

Paula Teixeira avançou que “esta é uma das bactérias que mais preocupa a indústria e a comunidade científica, daí os esforços para a combater”, e acrescentou que a indústria está “muito aberta” a este tipo de soluções, isto porque a introdução de bactérias antimicrobianas não põe em causa os padrões de qualidade dos alimentos.

Entretanto a equipa está já a aplicar este método “a outras matrizes alimentares em que o crescimento da Listeria pode ser controlado por agentes químicos e que, neste caso, esses agentes químicos podem ser substituídos por esta combinação de barreiras. Neste momento, estamos em fase de publicação de um novo artigo em que a combinação foi aplicada a produtos de charcutaria”, concluiu a investigadora.

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