Greve dos trabalhadores da Saúde está com 60% de adesão

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Serviços e de Entidades com Fins Públicos (STTS) estimou hoje que a greve dos trabalhadores da saúde esteja a ter uma adesão de 60% e disse haver serviços fechados.

“A greve está a ter muita adesão. Temos serviços fechados a 100% e contamos que até às 15:00, que é a altura que mudam os turnos, estejamos nos 80% de adesão”, disse à Lusa o presidente do sindicato, Mário Rui, numa concentração, no distrito de Lisboa em frente ao Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca da Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora-Sintra às 10:30.

Segundo o responsável, serviços como as consultas externas e radiografias estão a ser afetados.

O vice-presidente do STTS, Diogo Mendes, disse à Lusa que no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, os blocos operatórios de cirurgia programada estão fechados, enquanto no Hospital Pulido Valente, que também pertence à ULS de Santa Maria, a cirurgia de ambulatório não está a funcionar.

Junto ao Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca, a Lusa falou com utentes que disseram que os serviços funcionaram bem, mas também com pacientes que não foram atendidos devido à greve.

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“Não fez o exame”, disse Alexandre Alves, 31 anos, que acompanhava a mulher, grávida de nove meses.

A sair do hospital com o marido, Teresa Pereira, 77 anos, disse que ligou antes para saber se podia ter a consulta, por já ter conhecimento da greve, mas quando chegou descobriu que afinal tinha de voltar para casa porque médica aderiu à paralisação.

O STTS convocou para hoje uma greve de 24 horas como os serviços mínimos assegurados, que incluem o funcionamento das urgências, para todos os profissionais de Saúde representados pelo sindicato, como médicos, enfermeiros, auxiliares de saúde, assistentes técnicos, auxiliares de saúde e assistentes operacionais.

O sindicato exige a reposição dos pontos retirados aos trabalhadores adquiridos pelo Sistema integrado de gestão e avaliação do desempenho na administração pública (Siadap).

A regularização do Siadap na avaliação do biénio 2021/2022, 2023/2024 e do ano 2025 e a contratação de mais profissionais, de forma a impedir o “abuso dos turnos suplementares e cargas horárias de 14 e 16 horas de serviço continuo” são outras exigências do sindicato.

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“O trabalho extraordinário tem sido de tal ordem que neste momento temos trabalhadores já com mais de 200 dias não remunerados”, disse À Lusa Mário Rui, indicando que estão em causa “algumas centenas largas de euros” por receber.

A revisão da carreira do técnico auxiliar de saúde é outras das reivindicações, uma vez que o presidente do STTS quer que seja uma considerada como uma carreira de desgaste rápido e de risco.

O Sindicato Independente de Todos os Enfermeiros Unidos (SITEU) também se juntou à greve e à concentração com cerca de 20 pessoas do Stt e de acordo com Sónia Viegas do SITEU, a organização sindical protesta contra o o Siadap, “um modelo de avaliação obsoleto, injusto, que não promove o mérito”.

Em maio o Stts, já tinha realizado uma greve e uma concentração com as mesmas reivindicações, mas segundo o presidente do sindicato nada foi feito e a situação piorou para os profissionais, que continuam sem conseguir progredir na carreira porque continuam sem a avaliação de desempenho do biénio 2021/2022, segundo Mário Rui.

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Além do STTS, outras três estruturas sindicais da função pública afetas à CGTP convocaram uma greve das carreiras gerais, que abrange 350 mil trabalhadores, para hoje e exigem a valorização dos profissionais “os mais mal pagos da administração pública”, revelou o dirigente da federação nacional, Joaquim Ribeiro, na quinta-feira.