Estudo revela falta de prevenção do declínio funcional de idosos em meio hospitalar 56

Um estudo hoje divulgado pela Universidade de Aveiro revela que as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) para prevenir o declínio funcional de idosos, provocado por cuidados clínicos e medicação, são ignoradas por profissionais.

“A iatrogenia ou dano causado por cuidados médicos e medicação pode provocar a perda de autonomia funcional e o declínio das capacidades físicas dos idosos”, salienta o trabalho.

O estudo, realizado no âmbito do projeto “STOP-IATRO”, revela que essas complicações de saúde, não explicadas pela condição clínica, afetam uma percentagem significativa da população sénior.

A investigadora Maria Teresa Herdeiro alerta que os idosos podem perder capacidades durante o internamento, com impacto direto nos custos do Estado, preconizando que sejam integradas as orientações da OMS nos protocolos do Serviço Nacional de Saúde, para prevenir a iatrogenia.

Com base em inquéritos aos profissionais da Unidade Local de Saúde da Região de Aveiro (ULS RA), a investigação concluiu que 84% dos inquiridos ignora as recomendações internacionais para prevenir a perda de autonomia em contexto hospitalar.

“Os dados mostram que 82% dos profissionais não utiliza escalas de avaliação funcional para monitorizar o estado real dos doentes internados”, adianta uma nota de imprensa sobre o projeto “STOP-IATRO”, citada pela Lusa.

Comparticipação do Estado a nutrição entérica quase duplica

Portugal apresenta o segundo índice de envelhecimento mais elevado da União Europeia o que, segundo a investigadora, agrava os riscos associados à polimedicação e tratamentos complexos.

Os inquéritos revelaram também que cerca de 41% dos participantes reconhece que a maioria dos eventos adversos, relacionados com medicamentos, poderia ser evitada com prevenção eficaz.

O estudo contou com a participação de 64 profissionais de saúde da região de Aveiro, sendo que 92% manifestou interesse em receber formação específica.

De acordo com a nota de imprensa “as conclusões do STOP-IATRO já levaram à realização de ‘workshops’ para 80 profissionais, e estão previstas ações de literacia para a população em geral”.